28 de nov de 2008

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escrever é preciso.
morrer não é preciso.

(Liliane M. A. Silva)

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furinho pequenininho,
lugar abestalhado.

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aviso inesperado.

(Liliane M. A. Silva)

4 de nov de 2008

samba de uma vida só.

o samba? descobriu foi atrás da porta.
escondido, que o pai não achava decente.
não queria a filha mexendo com essas coisas de preto.
mas tinha uma tia, e ainda por cima madrinha, que se balançava toda como que a anunciar: sambar não é para qualquer mulher, tem de ter peito. E ela tinha, uns enormes. A mulher criança não teve dúvidas, também teria. E sambou.
o morro? chegou antes.
subiu a primeira vez foi na barriga da mãe.
depois, a mãe-de-leite, preta de grande peitaria e inúmeros filhos, também morava no morro. E lá ia ela subindo o morro todo dia, no balanço do cavalo entre os braços do pai.
no morro é que tinha o melhor: o ribeirão, o céu mais estrelado, os pés de manga, o cheiro de jaca, os primos-irmãos, os forrós no terreiro, a primeira escola - de barro batido, a primeira professora - a própria mãe.
na cidade, morava no morro, o da igreja. ele desaguava em uma pracinha que no Natal tinha presépio e nos outros dias tinha sorvete.
depois cresceu. Quis ir embora. Escolheu as montanhas e vivia a dizer: eu ainda vou subir o morro. Mas, nem um de seus ônibus ia para lá.
depois, precisou ir embora. Escolheu percorrer as bandeiras. Encaixotou os livros, ensacolou os edredons, bordou panos de prato. As roupas nunca foram muitas, preferia ir ao cinema.
lugar estranho, o rio num corre pro mar, os morros vestem barracos, os mortos são desconhecidos, a vida da gente parece que é só da gente.
foi no trem que a vontade acordou e ela entendeu: era ali que subiria o morro.
as latas na cabeça e as agonias, a lama no sapato e o vento frio, a fumaça do fogo feito de madeira verde, a negra de sorriso branco, o homem de chapéu de couro, o cansaço da invisibilidade, o desejo de viver substituindo o feijão com arroz, as balas envenenadas, as crianças violadas, as gentes ignoradas.
'desde que o samba é samba é assim'.
ela entendeu. e sambou.

(Liliane M. A. Silva)

3 de nov de 2008

solo

disseram que vinha do mar
que bastava encontrar.

entre estrelas a bailar
sem pressa para o dia chegar.

ouvir a grama
medir saudade
pedir esqueça
sumir do mapa

sereia cantou.
orfeu não resistiu.

e o sol nasceu.

(Liliane M. A. Silva)

30 de set de 2008

Sistema de Garantia de Direitos - Seminário




este Seminário pauta-se em torno do projeto profissional e a necessidade de aperfeiçoar o Sistema de Garantia de Direitos da Criança e do Adolescente.
Data: 14/10/2008
Local: Auditório da FAPCOM – Faculdade Paulus de Tecnologia e Comunicação
Rua Major Maragliano, 191 – Vila Mariana - São Paulo - SP(Próximo ao metro Vila Mariana)

24 de set de 2008

Ações Culturais em Zonas de Conflito

Antídoto - Seminário Internacional de Ações Culturais em Zonas de Conflito.
Em sua terceira edição, o seminário traz pensadores e atores sociais do Brasil, de Burkina Faso, da República Democrática do Congo, da Índia e de El Salvador.
2 a 23 de outubro

21 de set de 2008

Justiça, adolescência e ato infracional

PALESTRA:

Justiça, adolescência e ato infracional: garantia de direitos e sistema de responsabilização do adolescente autor de ato infracional

Profa Martha de Toledo Machado, Promotora de Justiça e Professora de Direito da Infância e Juventude da PUC-SP

DATA: 24 de Setembro de 2008, quarta-feira, das 14:00 às 16h.

LOCAL: PUC-SP, sala 504, quinto andar.

Coordenação: Miriam Debieux Rosa e Maria Cristina G. Vicentin

Promoção:

Pontifícia Universidade Católica de São Paulo / Programa de Estudos Pós-Graduados em Psicologia Social/Núcleo Violências: Sujeito e política

Universidade de São Paulo/ Instituto de Psicologia/Pós-Graduação em Psicologia Clínica/ Laboratório Psicanálise e Sociedade

Aberta ao Público.

17 de set de 2008

CFP: a questão do uso indiscriminado de algemas

Resposta do CFP à notícia entitulada "PF apela à psicologia para algemar"

Falando Sério: Nenhuma forma de Violência vale a pena

Em matéria intitulada “PF apela à psicologia para algemar” publicada no jornal O Estado de São Paulo de 14 de setembro último, lemos o depoimento de duas psicólogas, pertencentes aos quadros da Polícia Federal, onde afirmam ser justificado o ato de algemar, indiscriminadamente, cidadãos que recebem voz de prisão por agentes da PF. Em que pese o lugar de onde opinam as profissionais- elas próprias parte da corporação policial em pauta- suas idéias e concepções não coincidem com os princípios que orientam hoje o debate da psicologia brasileira em torno do tema da justiça, segurança pública e defesa dos direitos humanos. O Sistema Conselhos de Psicologia ( Conselho Federal e Conselhos Regionais) estão próximos de realizar o II seminário sobre o sistema prisional brasileiro e o papel dos psicólogos. Na pauta ! desse seminário apontamos claramente para a tarefa urgente de tratarmos as políticas criminal, penitenciária e de segurança pública brasileiras como caso de calamidade pública merecendo a preocupação de toda a sociedade. Em nossos cárceres imundos mantemos cerca de meio milhão de seres humanos, preponderantemente jovens e miseráveis, muitos deles sem sentença condenatória e passando por todo tipo de violação de direitos. A violência do Estado, muitas vezes legitimada pela mídia, torna-se recurso natural nas ações de repressão aos atos infracionais.

Ora, algemar sob o argumento de que o estresse torna os sujeitos humanos imprevisíveis é generalizar os fenômenos psicológicos, banalizando sua complexidade. Isso pode acabar por justificar a transformação de uma ação de prevenção em ato de ostentação de força e violência onde o sujeito abordado pode tornar-se vítima de humilhação social. Esse efetivamente não deve ser o papel da PF que tem demonstrado seriedade e cautela nas operações que todos acompanhamos nos últimos tempos. O uso da violência desqualifica sua conduta profissional, perdendo credibilidade social e o respeito dos cidadãos que acreditam nos princípios democráticos.
O Conselho Federal de Psicologia, em sintonia com a campanha das Comissões de Direitos Humanos do Sistema Conselhos de Psicologia, acredita que NENHUMA FORMA DE VIOLÊNCIA VALE A PENA.

Humberto Verona
Presidente do CFP

9 de set de 2008

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a são joão com ipiranga?
restou brexó.
ficou topa-tudo.
açougue em cada esquina.
é no vão escuro do viaduto
que sonhar ainda faz luz.
só os varais em sacadas encardidas
lembram que viver é todo dia.

do passado, pode restar poesia.

(Liliane M. A. Silva)

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o dia finda.
multidão
de cor
de som
de gente.
aqui dentro,
só silêncio.

(Liliane M. A. Silva)

túmulos caiados.

lavar os pratos todo dia.
devia.
limpar a casa todo dia.
devia.
quarar a roupa, se tem sol.
aprendia.
fazer comida três vezes ao dia.
se podia.
espanar o amor a cada vez.
para quê seria?
fingir a mentira por covardia.
e quem descobriria?

Senhor dos cada dias,
seguir as regras, no dia a dia.
alguém faria?
assim tão estúpido, quem seria?
que com a boca bem cheia de cuspe virtuoso e podre, levantaria a mão:
eu! eu!
e, pela primeira vez, mentiria.

(Liliane M. A. Silva)

fim.

vivre
lettre
coma
osso
nada
fundo
alma
lama
corda
vento


pés
no ar.

(Liliane M. A. Silva)

ab-sinto

n'alma marcas.
lituras paleontológicas
restos do que morreu
morte mais viva
não apaga o que acabou
não desaparece o que não ficou
borboleta
boi
criança
fogo e céu
lua e flor
tudo ali
morrendo e se escrevendo
vivendo no que se inscreve
restando vivo só ao morrer.
garatujas do ab-sinto.

(Liliane M. A. Silva)

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cala-te!
não murmures sequer!!
há coisas que só o silêncio fiz.

(Liliane M. A. Silva)

arear

escrever
entreviver
escrever, entrever
se ler
tecer o passadiço
entreter o movediço
não sucumbir
ao escrever.

(Liliane M. A. Silva)

8 de set de 2008

Saúde Mental e Educação


I Encontro Saúde Mental e Educação: o espaço do professor. Políticas, Ações e reflexões.

O presente evento integra as atividades comemorativas dos 90 anos da Faculdade de Saúde Pública da
Universidade de São Paulo. Nesse contexto, o Laboratório de Saúde Mental Coletiva (LASAMEC) do Departamento de Saúde Materno-infantil busca manter um estreito compromisso com a Saúde Pública Brasileira; com esse objetivo congrega profissionais pesquisadores em diversas áreas da atenção em Saúde Mental Infanto-Juvenil.

Local: Faculdade de Saúde Pública da USP. Avenida Dr. Arnaldo, 715. Sala Paula Souza.

Data: 19 de setembro de 2008; sexta feira.

8hs às 16hs.
Informações e inscrições gratuitas no site www.fsp.usp.br

10 de ago de 2008

Seminário sobre a obra da Jacques Lacan

Caros participantes do Seminário de Quinta,

Neste semestre nossos encontros serão semanais, concentrando-se nos meses de agosto e setembro. Dando prosseguimento à hipótese de uma psicopatologia não-toda e ao trajeto de discussão sobre a razão diagnóstica em psicanálise (conforme nossa pesquisa junto ao Latesfip), vamos examinar neste semestre algumas condições clínicas cujo estatuto diagnóstico apresenta-se oscilante, indeterminado ou incerto, do ponto de vista da diagnóstica estrutural. Segundo a aplicação das categorias lógicas da sexuação à razão diagnóstica procuramos os casos paradigmáticos para: (a) universalidade das estruturas, (b) excepcionalidade das patologias do supereu, (c) não-totalidade das formas de gozo e (d) condicionalidade das patologias do narcisismo.

Quintas feiras, das 12:30 às 14:00.

Instituto de Psicologia da USP – Bloco de Aulas – Sala 12

Aberto, Público e Gratuito.

Mais informações: chrisdunker@usp.br ou (3887-0781)

Programa

14 de agosto: A diagnóstica dos discursos: inclusão, exclusão e excepcionalidade

Lacan, J. – Da mais valia ao mais-de-gozar. In O Seminário – livro XVI, Jorge Zahar, Rio

de Janeiro, 2008.

21 de agosto: Déficit de Atenção com Hiperatividade: pertencer e fazer parte

Silva, A.B. – Mentes Inquietas. Editora Gente São Paulo, 2003.

Lacan, J. – O fato e o dito. In O Seminário – livro XVI, Jorge Zahar, Rio de Janeiro, 2008.

28 de agosto: A diagnóstica do narcisismo: aposta, condicionalidade e implicação

Lacan, J. – A Aposta de Pascal. In O Seminário – livro XVI, Jorge Zahar, Rio de Janeiro, 2008.

04 de setembro: A depressão como avesso da transferência

Fedida, P. – Sobre a importância da psicopatologia para a psicoterapia. In Os Benefícios da Depressão. Escuta, São Paulo, 2002.

Lacan, J. – A Aposta de Pascal. In O Seminário – livro XVI, Jorge Zahar, Rio de Janeiro, 2008.

11 de setembro: A diagnóstica do gozo: não-sem, não-todo, não-outro

Lacan, J. – Saber Gozo. In O Seminário – livro XVI, Jorge Zahar, Rio de Janeiro, 2008.

18 de setembro: A perversão ordinária como semblante do não-todo

Kristeva, J. – Para que servem os psicanalistas em tempo de desgraça que se ignora. In As Novas Doenças da Alma, Rocco, Rio de Janeiro, 2002.

Lacan, J. – A clínica da perversão. In O Seminário – livro XVI, Jorge Zahar, Rio de Janeiro, 2008.

25 de setembro: O obsessivo e a histérica: falso universal ?

Lacan, J. – Aporias e Respostas. In O Seminário – livro XVI, Jorge Zahar, Rio de Janeiro, 2008.

8 de ago de 2008

Palavra Escrita. Palavra falada. Escutar o inconsciente


O jardim das delícias - Bosch

Preparando as aulas
ALCOFORADO (junho de 1668):
"vivi muito temo em um abandono e uma idolatria que me horrorizam, e os meus remorsos perseguem-me com um rigor insuportável.
sinto vivamente a vergonha dos crimes que me fizeste cometer, e falta-me, ai de mim! a paixão que me estorvava o conhecimento da enormidade deles...
quando deixará o meu coração de ser dilacerado?
quando me verei eu livre deste embaraço cruel?
contudo creio que não te desejo mal algum, e que me resolveria a consentir que fosses feliz
(...)
Era jovem, era crédula, tinham me encerrado desde a infância neste convento; aqui não tinha visto senão gente desagradável; jamais tina ouvido louvores que me davas continuadamente; parecia-me que te devias os atrativos e a beleza que dizias admirar em mim, e que me fazias conhecer; ouvia dizer muito bem de ti; todos me falavam em teu favor, tu fazias tudo para espertar o amor ..."

CASTELO BRANCO (2004):
"a escassa teoria já desenvolvida em torno da possível dicção feminina mais complica do que esclarece. Ao tentar definir a ambiguidade e o mistério femininos, que porventura se refletem na produção literária de mulheres, as teorias fazem-se também nebulosas e pouco verificáveis. Os julgamentos acabam por recair nas esferas do 'sentir' e do 'pressentir', e tais atitudes nunca mereceram muito crédito perante as sérias e embasadas da crítica tradicional. Talvez só o 'despertar da ânima adormentada", proposto por Natália Correa (1983, p. 47-50), nos resgate essa capacidade.
É assim que, anímica ou 'femininamente', como querem alguns, decidi perseguir os rastros da dicção feminina"

7 de ago de 2008

O Ensino Superior no Brasil

Apenas 20 instituições privadas de ensino superior concentram 32% dos cursos 1 e 2 que serão vistoriados pelo Ministério da Educação (MEC). Algumas são conhecidas na lista dos piores cursos do País, como a Universidade Presidente Antonio Carlos (Unipac), de Minas, e o Centro de Estudos Superiores de Maceió (Cesmac).

A campeã da lista, no entanto, é uma das maiores instituições privadas do País, a Universidade Paulista (Unip), que vai passar por vistoria em 26 cursos de 7 das 13 áreas avaliadas. Por nota, a Unip justificou que a baixa pontuação pode ser explicada pelo pouco empenho do aluno na resolução da prova, já que a nota obtida por ele não constará no histórico escolar.

Duas das instituições, a Unipac - com 17 cursos na lista - e a Universidade José do Rosário Vellano (Unifenas), com 14, apareceram na lista há três anos porque seus cursos estavam sendo contestados pelo MEC.Um artigo da constituição estadual de Minas determinou que as instituições privadas do Estado fiquem sob a jurisdição do Conselho Estadual de Educação (CEE), quando deveriam responder ao Conselho Nacional.

O MEC contesta o Estado em ação direta de inconstitucionalidade no Supremo Tribunal Federal que até agora não foi julgada. Enquanto isso, as instituições continuam se expandindo - agora para fora do Estado - com autorização do CEE. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

31 de jul de 2008

palavra escrita. palavra falada. escutar o inconsciente


Escher

Preparando as aulas



(MANDIL,2003. p.251):
"o desejo de fazer-se um nome ou de inscrevê-lo na posteridade evoca o que T.S. Eliot, em 'Tradição e talento individual"(1934), identificou como o que há de mais 'individual' em um poeta. não se trata daquilo que o escritor apresenta de mais 'pessoal' se como essa palavra tentamos abarcar o conjunto das emoções ou sentimentos que se expressam em sua obra, nem de uma expressão da 'personalidade' do autor, que poderia ser deduzida ou construída a partir de sua obra, mas sim do modo singular pleo qual o poeta é capaz de combinar, digerir, transmutar suas impressões e experiências por meio da obra. Nesse sentido, o talento individual do poeta comporta uma elaboração em torno de suas póprias paixões e emoções, não para prepará-las para uma entrega, mas como matéria-prima da obra: 'quanto mais perfeito um artista, mais completamente separados estarão nele o homem que sofre e a mente que cria, mais perfeitamente sua mente irá digerir e transmutar as paixões que são a sua matéria (Eliot, 1934, p.18)"

V Simpósio Brasileiro de Psicologia Política


MarcosDesign

Fórum Municipal de Saúde Mental de Crianças e Adolescentes


25 de jul de 2008

Palavra Escrita. Palavra falada. Escutar o inconsciente


Escher

Curso de Extensão em Psicanálise e Literatura
Preparando as aulas:

(BRANDÃO, R. S. 2001): "para falar do sujeito que escreve, não o indivíduo totalizante que se pretende senhor de seu castelo, de sua escrita, deve-se pensar numa escrita-inscrição, em que ele se constitui, não de forma definitiva, pois o escrever se confunde com o viver, pela via do desejo"
"A fixidez do fantasma e da ficção não teriam parentescos e diferenças, cuja abordagem exigiria gestos de extrema delicadeza que a interpretação poderia violentar?"
"se um texto é escrito na primeira pessoa, o "eu" que aí se exibe não se confunde necessariamente com o autor de carne e osso que parece sustentar esse "eu". O personagem que aí se apresenta é de diversa textura do "eu" de cada um de nós que também se representa no seu discurso, na sua condição de sujeito cindido. O "eu" que o psicanalista ouve tem diversa textura, coloca-se em outro lugar, como presença que pulsa, aqui e agora"

"a experiência da angústia se caracteriza por um impossível dizer, pelo silêncio de chumbo, que impede a voz. A literatura, como momento posterior a ela, é o que lhe dá voz e possibilidade de alívio na elaboração ficcional que se dá na cena da escritura."

(DURAS, M. 1994):
"Estar sozinha com o livro ainda não escrito significa estar ainda no primeiro sono da humanidade. É assim. È também estar sozinha com a escrita não semeada. Tentar não morrer por isso. Estar sozinha em um abrigo durante a guerra. Mas sem preces, sem Deus, sem qualquer pensamento"

17 de jul de 2008

Curso de Extensão em Literatura e Psicanálise - UNISANTOS


PALAVRA ESCRITA. PALAVRA FALADA. ESCUTAR O INCONSCIENTE
(curso de Literatura e Psicanálise na UNISANTOS)




Coordenação Geral: Prof. Me. Elias Salim Haddad Filho
Professor Responsável: Liliane Maria Alberto da Silva – mestre
Início previsto: 12/08/2008
Inscrições: Até 08 de agosto
Horário: Terças-feiras das 19h às 23h
Duração Prevista: De 12 de agosto a 24 de novembro de 2008
A Universidade se reserva o direito de alterar o cronograma.

Investimento: R$ 300,00 ou quatro parcelas de R$ 75,00
Objetivo: • Levar o aluno a se familiarizar com conceitos da psicanálise que podem servir de recurso teórico para uma escuta do texto literário na dimensão das manifestações do inconsciente.
• Utilizar tais conceitos para realizar uma interlocução entre Literatura e Psicanálise.
• Analisar textos literários a partir dos recursos teóricos da psicanálise.


Dirigido a: Pessoas que se interessem por Literatura e/ou Psicanálise.


Conteúdo: • Apresentação do curso
• Psicanálise e Literatura: Um jardim para o que o pensamento permite
Textos de Maria Gabriela Llansol
• Conceito de inconsciente e suas manifestações no cotidiano
Textos de Leminski
• Conceito de inconsciente e suas manifestações no cotidiano
Textos de Manoel de barros
• A questão do sofrimento, o processo de sublimação e a produção artística.
Textos de Sylvia Plath
• A questão do sofrimento, o processo de sublimação e a produção artística.
Cartas de Mariana Alcoforado
• A questão da interpretação na psicanálise e a escuta do texto literário
Textos de Guimarães Rosa
• A questão da interpretação na psicanálise e a escuta do texto literário
Textos de Machado de Assis
• Encerramento com um Sarau


Obs.:

Horário de atendimento - Secretaria COEAE (PERÍODO DE MATRÍCULA DE 01 A 25 DE JULHO DE 2008)

Segunda-feira:
Noite das 18h às 21h

Terça a sexta-feira:
Manhã das 09h às 11h
Tarde das 14h às 16h
Noite das 18h às 21h



19 de jun de 2008

Violência e Proteção Social

SEMINÁRIO
O Ciclo da Violência e a Rede de Proteção Social: as experiências dos Serviços de Proteção Jurídico Social e Apoio Psicológico na Cidade de São Paulo (SPJSAP)

Local:PUC SP – sala P 65

Horário: 14 às 22:00


Dia: 19/06/2008

Programação

Horário: 14h às 15h30
  • Mesa Redonda: O Ciclo da violência e a Política Pública de Proteção Especial
  • Coordenação: Emanoel – Cedeca Santo Amaro
  • Dra Joise Bacarissa -Comissão de Justiça e Paz

    Professor Flávio Crocce Caetano – Faculdade de Direito PUC/SP

    Profª Isaura Oliveira Isoldi – Núcleo de Violência PUC / SP

    Horário:

    15h30 às 16h Intervalo – café

    Horário:

    16 as 18hs
  • Mesa redonda: Dos Cedecas aos Serviços de Proteção Jurídico Social e apoio Psicológico
  • Coordenação: Eduardo Faiola - CEDECA Belém
  • Everaldo Oliveira - Coord. Associação de Meninos e Meninas de rua da Sé (CEDECA - SÈ)

    Emanuel Coord. Associação Corrente Libertadora (CEDECA –Sta. Amaro)

    Pe. Júlio Lancellotti – Bom Parto (CEDECA Belém)

    Dra. Tatiana Bolens- Justiça Restaurativa

    Prof. Neire Bruno – Assistente Social

    Horário:

    19h às 22 h
    • Apresentação da síntese dos Serviços de Proteção Jurídico e Social –
    • (Gabriel de Carvalho Sampaio)

    Coordenação:

    Prof. Dra Rosalina de Santa Cruz Leite Coord. do Núcleo de Pobreza e Desigualdade
    • A proteção Especial e o ciclo da violência; desafios da implantação dos CREAS

    Valeria Maria Gonelli - Diretora do Departamento de Proteção Especial –MDS

    • A experiência de implantação do CREAS em São Paulo.

    Ilmo. Sr. Dr. Paulo Sérgio de Oliveira e Costa(a confirmar) - Secretário de Assistência e Desenvolvimento Social da cidade de São Paulo

    • GT Comas- Represente da Sociedade Civil

    18 de jun de 2008

    Maria Gabriela Llansol


    Espaço Llansol

    Carta de Princípios

    1. O Espaço Llansol não é apenas um lugar físico, mas também o lugar real, visível e invisível, disseminado pelo Texto de Maria Gabriela Llansol.

    2. O Espaço Llansol é o lugar onde cada ser se desenvolve para o seu fim específico, espaço comum do encontro inesperado do diverso e do contrato que une todos os seres com a sua pujança própria, sem hierarquias.


    3. O Espaço Llansol é o lugar do princípio de bondade e do eterno retorno do mútuo, onde não há comunidade, não há grupo, não há clube, não há seita, não há «nós»: apenas semelhantes na diferença.


    4. O Espaço Llansol é o lugar onde não se pergunta «Quem sou eu?» (a pergunta do escravo), mas «Quem/o quê me chama?» (a pergunta do homem livre).

    5. O Espaço Llansol é o lugar onde não há resignação nem morte, lugar de vida sob o signo dos afectos, no seu triplo registo: o Belo, o Pensamento e o Vivo.


    6. O Espaço Llansol é o lugar onde escrever é o duplo de viver, e vice-versa.


    7. O Espaço Llansol é o lugar onde se busca o dom poético (o potencial de beleza à espera de ser descoberto em todas as coisas e nas suas relações) e se exerce a liberdade de consciência (que permite a cada um reconhecer-se direito e ser inteiro).


    8. O Espaço Llansol é o lugar da língua sem impostura.

    9. O Espaço Llansol é um lugar de fascínio (o que está do lado do luminoso), não de sedução (o dispositivo de submissão de todas as vozes a uma única voz).


    10. O Espaço Llansol é o lugar onde aquilo que o Texto tece advirá ao homem como destino. Esse destino é o de um humano-mais-humano, o de uma mais-paisagem do humano.


    11. O Espaço Llansol é o lugar onde o homem será, arriscando a sua identidade por um desejo de metamorfose. A esse lugar o Texto chama «espaço edénico» – não o mítico, das origens, mas o que é criado no meio da coisa, não fixo, mas elaborável por cada um de nós.


    12. O Espaço Llansol é o jardim que o pensamento permite.




    17 de jun de 2008

    Casa do Migrante



    ACNUR e parceiros celebram Dia Mundial do Refugiado no Brasil

    Acontecerão eventos por vários lugares no Brasil. Aqui em São Paulo:
    ACNUR e a FAAP promovem, pela primeira vez no Brasil, a exibiç*o de uma tenda usada em campos de refugiados, com vários utens*lios domésticos e de higiene pessoal. Dentro da tenda ser*o exibidos v*deos a situaç*o do refúgio no mundo e sobre o trabalho de proteç*o e assist*ncia desenvolvido pela ag*ncia da ONU para refugiados. A tenda ficará exposta na quadra esportiva da FAAP até quarta-feira (18/06).
    Além disto,
    o Laboratório Psicanálise e Sociedade (USP), o Nucleo de Estudos Violências: Sujeito e Política (PUC-SP) e a Casa do Migrante convidam para o "Festival dos Refugiados" a se realizar nesta quarta-feira, 18 de junho, das 16h às 19h, na Casa do Migrante, Rua Almirante Mauriti, 70, Liberdade (travessa da Rua Glicério), em comemoração à Semana e ao Dia dos Refugiados (20 de junho). Os albergados (refugiados, imigrantes e migrantes) apresentarão músicas, canções e outras modalidades culturais de seus respectivos países e regiões.

    14 de jun de 2008



    Acontecerá em Novembro, na USP, o VII Colóquio Interncional do LEPSI e o I Congresso da Rede Universitária de Estudos em Educação - Psicanálise (RUEPSY).
    A pretensão é discutir Educação e Psicanálise em torno de: acompanhamento clínico, adolescentes, o trabalho do professor, infância, ensino.
    A inscrição de Trabalhos está aberta até o mês de Agosto

    sou gente tenho direitos




    O CEDECA Interlagos lançou a campanha SOU GENTE TENHO DIREITOS em comemoração ao 18º aniversário do ECA.
    Acompanhe, participe.
    Este projeto é de todos nós.

    11 de jun de 2008

    Democracia direta e participativa






    O CEDECA Interlagos possui um espaço de Formação que é aberto ao público.
    No próximo dia 16/12, de 09 às 12:00h, está agendado:

    DIREITOS NÃO LEGALIZADOS E
    INSTRUMENTOS DA DEMOCRACIA DIRETA E PARTICIPATIVA

    com o Prof. Dr. José Luiz Solazzi (Universidade Municipal São Caetano do Sul)
    e
    Inácio da Silva (Instituto Polis)

    10 de jun de 2008

    Nova CPMF


    E quem disse que nossos nobres políticos não fazem hora-extra?
    São 22:52h de uma segunda-feira e lá estão os pobres a trabalhar:
    PARA APROVAR A NOVA CPMF. E vejam bem, o autor do Projeto é o caríssimo EX-companheiro Pepe Vargas (PT-RS) (o site é para facilitar uma análise entre o marketing e a realidade), que cria a CSS (CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PARA A SAÚDE). Já o líder do PMDB, Henrique Eduardo Alves (RN) não tem dúvidas da contribuição de seu Partido para o progresso brasileiro: serão 70 votos a favor da bem-vinda tarifa.
    Eu me pergunto quando haverá tanto empenho para o que interessa ao nosso país, de fato.

    2 de jun de 2008

    escriba

    escrever é tarefa árdua
    pedaço de idéia boiando em mar gelado
    mil agulhas sangram a mente
    morrer assim não é rápido
    dias horas tempo sem fim
    e nada da palavra inteira
    e nunca a idéia completa
    só rabiscos inprefeitos
    gestão incompetente
    controle impossível
    de um reino inadmissível
    não escrever seria bom
    não pensar o ideal
    o ideal é pedaço de nada soçobrando
    rabiscos imperfeitos
    marcas em tabuletas de argila
    duram dias horas
    quem sabe? tempos sem fim.

    (Liliane M. A. Silva)

    .

    luz em fiapos
    rasga o cinza do dia
    verde em gramas
    limpa a lama dos olhos.

    (Liliane M. A. Silva)

    invenção de quem?

    uma caixinha de papel
    fita vermelha de enfeite.
    é de manuel.
    sob o laço, lembranças foram inventadas.
    desinventando sentidos
    não serve qualquer um.

    (Liliane M. A. Silva)

    dó em sol

    zzzzzzz
    o sol sumia
    zzzzz zz zzzzzz
    o sol voltava
    zz zzzzzzzz
    sombra de mosca em exaustos olhos.


    (Liliane M. A. Silva)

    menos

    a lassidão sempre fora boa companheira.
    deitada aos pés da cama, como cachorro a esquentar os pés do dono em noites de frio.
    mais, não queria.
    mais, não fez.
    mais, não podia.

    (Liliane M. A. Silva)

    tudo

    pensara em todos os detalhes.
    um único escapara: confirmar o destino.

    (Liliane M. A. Silva)

    29 de mai de 2008

    Homenagem ao Carrano

    Morreu na tarde do dia 27 de maio 2008 vitima de um câncer de figado Austregésilo Carrano Bueno. Ele foi um integrante do Movimento da Luta Antimanicomial. Autor do livro "Canto dos Malditos" onde conta sua experiência nos hospitais psiquiátricos e denuncia os absurdos cometidos diariamente nessas instituições. O livro baseou o premiado filme "Bicho de Sete Cabeças.
    No sabado a partir das 16:00 h na Pça Benedito Calixto será feita uma homenagem ao Carrano que terá a presença do Coral Cênico Cidadãos Cantante

    26 de mai de 2008

    Seminário Pró-Menino


    O objetivo do seminário é contribuir com o desenvolvimento de projetos de medidas socioeducativas em meio aberto, mesclando conhecimentos teóricos com a realidade.

    Serão abordados temas como a articulação entre as redes de atenção à criança e ao adolescente e a política de assistência social, a relação do adolescente com a escola e as medidas socioeducativas no contexto das políticas de atenção à criança e ao adolescente.

    13 de mai de 2008

    Dorothy Stang


    Publico aqui a nota de repúdio do Conselho Federal de Psicologia, fazendo coro não apenas aos colegas de profissão, mas a todos aqueles que se sentem indignados com os desmandos e a violência.
    Alguns são otimistas e lamentam a fome e a desgraça alheia. Outros permitem que a sua vida e seu trabalho leve otimismo aos que passam fome e atravessam a tragédia.
    Eles não são muitos. Mas, existem. Fazem o que é possível. E com isto, algumas vezes, terminam por realizar tanto!
    À Dorothy, nossa gratidão.



    NOTA DE REPÚDIO

    Recebemos com repúdio o resultado do novo julgamento de um dos acusados do assassinato da irmã Dorothy Stang, no estado do Pará, em 12 de fevereiro de 2005, reconhecida defensora dos direitos humanos e dos trabalhadores rurais, que torna impune o mandante do crime. A Comissão Nacional de Direitos Humanos do Conselho Federal de Psicologia vem manifestar ampla indignação com esta absolvição.Solicitamos a imediata ação do Ministério Público, recorrendo da decisão e garantindo outro julgamento.É de conhecimento público as pressões e ameaças de morte sofridas, inclusive pelo promotor Edson Souza, responsável pela acusação dos réus.Cabe lembrar que, de acordo com a Comissão Pastoral da Terra, 800 trabalhadores rurais foram assassinados no estado do Pará, nos últimos 36 anos.Exigimos, então, a continuidade da reforma agrária, proteção dos defensores dos direitos humanos na região e o fim da impunidade.Brasília, 13 de maio de 2008.

    9 de mai de 2008

    Dia nacional da Luta Antimanicomial


    Tela de Ana Moreira

    Fique atento!
    Há programação por todo o Brasil.
    Aqui em São Paulo podemos encontrar os eventos no site do CRP. São gratuitos e basta fazer a inscrição.
    Compartilhar conhecimentos, trocar experiências e enriquecer nosso trabalho. Isto é possível ao respondermos ao individualismo com articulação política.

    27 de abr de 2008

    Isabel Victoria Marazina

    O Núcleo Violências: sujeito e política do Programa de Estudos Pós-graduados em Psicologia da PUC-SP para a palestra:

    A clínica como política da subjetividade: uma leitura de como as políticas públicas formam/conformam o trabalho da clínica.

    Isabel Victoria Marazina

    Data: 30/04 ; 14-16h

    Sala 506 (quinto andar do prédio novo)

    Isabel V. Marazina é psicanalista e analista institucional, supervisora clínico-institucional de diversas equipes e serviços de saúde/educação/assistência social.

    É membro correspondente ativo do Associação Psicanalítica de Porto Alegre e pesquisadora do Núcleo de Pesquisa do Laboratório de Saúde Mental Coletiva (LASAMEC) da Faculdade de Saúde Pública- USP

    25 de abr de 2008

    Praia de Paulista

    A Paulista tem lugar para todos.


    Um carrega o balde.
    Outro serve à mesa.
    Nem um passa de Mercedes.

    O primeiro tem pele polaca, mas o nariz denuncia.
    O segundo tem a cabeça tão chata que pareceria ter nascido para carregar bandejas.
    Nem um veste Pierre Cardin.

    Bourdieu avisa: todo campo social resiste.
    Eu, intelectual desempregada, peço uma cerveja e uma pizza à palito.

    Nenhum de nós salvara o mundo.

    22 de abr de 2008

    21 de abril e os 74 Impostos brasileiros em 2008

    DOIS QUINTOS DOS INFERNOS - A DERRAMA ATUAL

    Robson Alves Ribeiro*

    No antigo Direito português derrama se chamava o imposto lançado sobre todos para suprir gastos extraordinários. Imposto "derramado" sobre todos. O Brasil Colônia pagava um alto tributo para seu colonizador, Portugal. Esse tributo incidia sobre tudo o que fosse produzido em nosso país e correspondia a 20% da produção. Essa taxação altíssima, absurda, era chamada de "o quinto". Esse imposto recaía principalmente sobre nossa produção de ouro. O quinto era tão odiado pelas pessoas que foi apelidado de "o quinto dos infernos".

    Em 1788, sempre zelosa de sua mais opulenta capitania, a Coroa substitui o corrupto governador Luís da Cunha Meneses por Luís Antônio Furtado de Mendonça, visconde de Barbacena e sobrinho do vice-rei Luís de Vasconcelos e Sousa. O visconde chegou a Vila Rica (hoje Ouro Preto) com ordens expressas para aplicar o alvará de dezembro de 1750, segundo o qual Minas precisava pagar cem arrobas (ou 1.500 Kg ) de ouro por ano para a Coroa. O visconde anunciou: a derrama, por mais odiada e temida, seria cobrada em fevereiro de 1789.

    A partir de então, era decretada pela Coroa, que na região de Minas Gerais, funcionários do governo português, na data marcada, poderiam confiscar bens, invadir moradias, prender e até matar para cobrir o valor mínimo estipulado para o quinto (que representava 20% do ouro arrecadado) de 100 arrobas ou 1.500 kg de ouro anuais, sempre que houvesse déficit de produção. Todo ano, se não fossem arrecadados 1.500 kg ou 100 arrobas, era essa agora a parte de Portugal arrecadar ouro até completar esse total.

    Em determinado tempo, Portugal quis cobrar os quintos atrasados de uma só vez - episódio que ficou conhecido como "a derrama", como descrito acima.

    Essa determinação de Portugal provocou grande insatisfação na população. Um clima de tensão e revolta tomou conta das camadas mais altas da sociedade mineira. Por isso, importantes membros da elite econômica e cultural de Minas começaram a se reunir e a planejar um movimento contra as autoridades portuguesas.

    Inconfidência Mineira foi o nome pelo qual ficou conhecido o movimento rebelde e organizado pelos homens ricos e cultos de Minas Gerais, que teve seu ponto culminante no enforcamento do líder Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes.
    Hoje, a carga tributária é o
    dobro daquela época da Inconfidência Mineira, ou seja, pagamos hoje dois quintos dos infernos!

    VIRADA CULTURAL em São Paulo



    Vai começar!!!
    Semana que vem, de sábado às 18:00 até domingo às 18:00.
    Isto sim é carnaval dos bons.
    Tem espetáculos para todos os gostos.
    A sagrada procissão fica por conta de cada desejo.

    HUMPTY DUMPTY

    Sempre me perguntam sobre o valor da palavra, para um psicanalista. Nem sempre consigo me fazer entender no quão preciosa é e, ao mesmo tempo, quão pouco valor possui.

    Lendo este trecho de "Alice no país das maravilhas" pensei que pode servir de ilustração.



    HUMPTY DUMPTY

    No entanto o ovo apenas cresceu mais e mais e se tornou mais e mais humano: quando ela já estava a uns poucos metros dele, percebeu que tinha olhos e um nariz e uma boca; e quando se aproximou, viu claramente que era o próprio HUMPTY DUMPTY. “Não pode ser ninguém mais!”, disse a si mesma. “Estou tão certa disso como se seu nome estivesse escrito em sua cara.”

    Poderia muito bem ter sido escrito umas cem vezes naquela cara enorme. Humpty Dumpty estava sentado com as pernas cruzadas, como um turco, no topo de um muro alto – tão estreito que Alice se espantou de que pudesse manter o equilíbrio – e, como seus olhos estivessem fixos na direção oposta, e ele não reparasse nela, ela pensou que fosse alguém de muita presunção.

    – E como se parece com um ovo! – ela disse em voz alta, estendendo as mãos, pronta para agarrá-lo, na expectativa de que a qualquer momento ele caísse.

    – É de fato uma provocação – Humpty Dumpty disse depois de um comprido silêncio, sem olhar para Alice enquanto falava – ser chamado de ovo... de fato!

    – Eu disse que você se parecia com um ovo, senhor – Alice explicou cortesmente. – E alguns ovos são bem bonitos, não é? – acrescentou, esperando que essa observação se convertesse numa espécie de elogio.

    – Certas pessoas – disse Humpty Dumpty, sem nunca olhar para ela – não têm mais juízo que um bebê!

    Alice não soube o que replicar: não parecia uma conversa, pensou, pois ele nunca dizia nada para ela; de fato, sua última observação se dirigira a uma arvore – então ela aguardou e disse baixinho para si mesma:

    Certo dia Humpty Dumpty

    sobre um muro se sentou.

    Mas deu azar e – tibumba! –

    um belo tombo levou.

    Nem todos os cavaleiros

    do rei, com os seus cavalos,

    puderam novamente colocar

    Humpty Dumpty de volta em seu lugar.

    – Essa última linha é muito longa para a poesia – acrescentou, quase em voz alta, esquecendo-se de que Humpty Dumpty poderia ouvi-la.

    – Não fique tagarelando consigo mesma desse jeito, – disse Humpty Dumpty, olhando para ela pela primeira vez – mas me diga seu nome e seu negócio.

    – Meu nome é Alice, mas...

    – É um nome bem estúpido! – Humpty Dumpty interrompeu com impaciência. – O que significa?

    – Um nome precisa significar alguma coisa? – Alice perguntou incrédula.

    – Claro que precisa! – Humpty Dumpty disse com uma curta risada. – Meu nome significa a forma que eu tenho, e é uma forma bem bonita também. Com um nome como o seu, você poderia ter qualquer forma, quase.

    – Por que você está sentado aqui sozinho? – perguntou Alice, sem querer começar uma discussão.

    – Ora, porque não há ninguém comigo! – gritou Humpty Dumpty. – Pensou que eu não saberia a resposta para essa? Pergunte outra.

    – Não acha que estaria mais seguro no chão? – Alice prosseguiu, sem intenção de propor outra charada, mas simplesmente na sua bem-intencionada preocupação com a estranha criatura. – Esse muro é muito estreito!

    – Que adivinhas tremendamente fáceis você propõe! – Humpty Dumpty resmungou. – É óbvio que eu não penso assim! Ora, se algum dia eu caísse (que não tem a menor chance), mas se eu caísse... – Aqui ele fez um beicinho e pareceu tão solene e grandioso que Alice mal pôde conter o riso. – Se eu caísse, – ele continuou – o rei me prometeu... Ah, você pode ficar pálida se quiser! Não pensou que eu ia dizer isso, pensou? O rei me prometeu... de sua própria boca... que... que...

    – Que enviaria todos os seus cavalos e todos os seus cavaleiros – Alice interrompeu, um tanto inadvertidamente.

    – Mas agora eu afirmo que isso é muito ruim! – Humpty Dumpty gritou, tomado de súbito fervor. – Você esteve ouvindo por trás das portas... e das árvores... e pelas chaminés... ou não poderia saber disso!

    – Não estive, juro! – Alice disse muito gentilmente. – Está num livro.

    – Ah, bem! Podem escrever tais coisas num livro – Humpty Dumpty disse num tom mais calmo. – É o que vocês chamam de uma História da Inglaterra, é isso. Agora, dê uma boa olhada em mim! Eu sou alguém que falou com um Rei, eu sou: quiçá você nunca verá outro igual: e para lhe mostrar que não sou orgulhoso, você pode apertar minha mão! – E sorriu quase até as orelhas, enquanto se inclinava para a frente (arriscando-se a cair no chão por causa disso) e oferecia sua mão a Alice. Ela o observou com certa ansiedade, enquanto tomava sua mão. “Se ele sorrisse mais um pouco, os cantos de sua boca poderiam se encontrar na nuca”, pensou: “e então não sei o que aconteceria com sua cabeça! Quem sabe até caísse!”

    – Sim, todos os seus cavalos e os seus cavaleiros – Humpty Dumpty prosseguiu. – Eles me levantariam de novo num minuto, pode acreditar! Porém esta conversa está indo um pouco rápido demais: voltemos à ultima observação, exatamente.

    – Receio que não possa me lembrar – Alice disse com polidez.

    – Nesse caso, comecemos do zero – disse Humpty Dumpty – e é minha vez de escolher um assunto... – (“Ele fala como se fosse só um jogo!” – Alice pensou.) – Então, aqui uma pergunta para você. Que idade você disse que tinha?

    Alice fez um breve cálculo e disse:

    – Sete anos e seis meses.

    – Errado! – Humpty Dumpty exclamou triunfal. – Você nunca disse uma palavra a esse respeito!

    – Pensei que você quisesse dizer: "Que idade você tem?" – Alice explicou.

    – Se eu quisesse dizer isso, eu o teria dito – disse Humpty Dumpty.

    Alice não quis iniciar outra discussão, por isso não disse nada.

    – Sete anos e seis meses! – Humpty Dumpty repetiu pensativo. – Uma idade bastante desconfortável. Agora, se você pedisse meu conselho, eu teria dito: "Dê o fora com sete", mas já é tarde demais.

    – Nunca peço conselho sobre crescimento – Alice disse indignada.

    – Orgulhosa demais? – o outro inquiriu.

    Alice ficou mais indignada ainda com essa sugestão.

    – Quero dizer – afirmou – que nenhuma pessoa pode evitar de crescer.

    Nenhuma pode, talvez, – disse Humpty Dumpty – mas duas podem. Com a ajuda adequada, você poderia ter caído fora aos sete.

    – Bonito cinto você tem! – Alice observou de repente. (Tinham falado o bastante sobre idade, pensou: e se cada um tinha o direito de escolher um assunto, agora era a vez dela.) – Ao menos – ela se corrigiu, pensando melhor – uma bonita gravata, eu devia ter dito... Não, um cinto, quero dizer... Peço desculpa! – acrescentou desolada, pois Humpty Dumpty pareceu bastante ofendido, e ela começou a desejar não ter escolhido esse assunto. “Se ao menos eu soubesse”, pensou consigo mesma, “o que é pescoço e o que é cintura!”

    Evidentemente Humpty Dumpty estava muito bravo, embora nada dissesse durante um minuto ou dois. Quando ele falou de novo, foi num resmungo profundo.

    – É uma coisa... muito... provocativa – disse finalmente – quando uma pessoa não distingue uma gravata de um cinto!

    – Sei que é muita ignorância de minha parte – Alice disse, com uma humildade que abrandou Humpty Dumpty.

    – É uma gravata, criança, e uma bem bonita, como diz você. E um presente do Rei Branco e da Rainha. É isso!

    – É mesmo? – disse Alice, satisfeita de ter escolhido um bom assunto afinal.

    – Deram-na a mim, – Humpty Dumpty continuou pensativo, enquanto cruzava um joelho sobre o outro e entrançava os dedos ao redor – deram-na a mim... como um presente de desaniversário.

    – Perdão...? – Alice perguntou com ar espantado.

    – Não estou ofendido – disse Humpty Dumpty.

    – Quero dizer, o que é um presente de desaniversário?

    – Um presente que se dá quando não é o seu aniversário, obviamente.

    Alice refletiu um pouco.

    – Gosto mais de presentes de aniversário – concluiu.

    – Você não sabe do que está falando! – gritou Humpty Dumpty. – Quantos dias existem num ano?

    – Trezentos e sessenta e cinco – respondeu Alice.

    – E quantos aniversários você faz?

    – Um.

    – E se você tira um de trezentos e sessenta e cinco, quanto fica?

    – Trezentos e sessenta e quatro, é claro.

    Humpty Dumpty ficou em dúvida.

    – Eu gostaria de ver isso no papel – disse.

    Alice não pôde deixar de sorrir quando apanhou sua caderneta e fez a conta para ele:

    3 6 5

    1

    ____

    3 6 4


    Humpty Dumpty pegou a caderneta e examinou-a com cuidado.

    – Parece estar certo... – começou.

    – Está de cabeça para baixo! – Alice interrompeu.

    – É com certeza que estava! – Humpty Dumpty disse com satisfação, quando ela a virou para ele. – Achei que parecia um pouco estranha. Como eu ia dizendo, parece estar certo... embora eu não tenha tempo para conferi-lo outra vez agora... E isso mostra que existem trezentos e sessenta e quatro dias em que você poderia ganhar presentes de desaniversário...

    – Por certo – disse Alice.

    – E apenas um para presentes de aniversário, portanto. Há gloria para você!

    – Não sei o que você quer dizer com "glória" – Alice disse.

    Humpty Dumpty sorriu com desdém.

    – É óbvio que não sabe... até que eu lhe diga. Eu quis dizer: “Há um belo argumento infalível para você!”

    – Mas “glória” não significa “um belo argumento infalível” – Alice objetou.

    – Quando eu uso uma palavra, – Humpty Dumpty disse com certo desprezo – ela significa o que eu quiser que ela signifique... Nem mais nem menos.

    – A questão é – disse Alice – se você pode fazer as palavras significarem tantas coisas diferentes.

    – A questão é – disse Humpty Dumpty – quem será o chefe... E eis tudo.

    Alice ficou pasmada demais para dizer qualquer coisa; assim depois de um minuto Humpty Dumpty começou de novo:

    – São geniosas algumas delas... Principalmente verbos, são os mais orgulhosos... Com os adjetivos você pode fazer de tudo, mas não com os verbos... No entanto eu posso lidar com todos eles! Impenetrabilidade! É o que eu digo!

    – Pode me dizer, por favor – disse Alice – o que isso significa?

    – Agora você fala como uma criança razoável – disse Humpty Dumpty, parecendo mais contente. – Eu quis dizer com “impenetrabilidade” que já falamos demais desse assunto e que seria bom que você mencionasse o que pretende fazer em seguida, pois suponho que não pretenda ficar parada aqui pelo resto de sua vida.

    – É muita coisa para uma palavra significar – Alice disse pensativa.

    – Quando faço uma palavra trabalhar tanto, – disse Humpty Dumpty – sempre lhe pago hora extra.

    – Oh! – disse Alice. Estava perplexa demais para fazer qualquer comentário.

    – Ah, você precisava vê-las em roda de mim numa noite de sábado – continuou Humpty Dumpty – balançando gravemente a cabeça de um lado para o outro – para receber seus salários, sabe?

    (Alice não se aventurou a perguntar com o que ele lhes pagava; então vejam que não posso dizer a vocês.)

    – Você parece muito esperto em explicar palavras, senhor – disse Alice. – Poderia por gentileza me dizer o significado do poema intitulado “Tagarelisco”?

    – Vamos ouvi-lo – disse Humpty Dumpty. – Posso explicar todos os poemas que já foram inventados – e um bom número dos que ainda não foram inventados.

    Isso pareceu promissor, de modo que Alice recitou a primeira estrofe:

    Era grelhúsculo, e os mangartos

    flexiscosos giroscopiavam

    e no lafrás verrumaravam:

    e muito fristes pareciam

    os estornões, e malincondes

    os caititurfas arfolavam.

    – É o bastante para começar, – Humpty Dumpty interrompeu – há uma porção de palavras difíceis aí. “Grelhúsculo” significa quatro horas da tarde – a hora em que você começa a grelhar coisas para o jantar.

    – Parece servir – disse Alice. – E “flexiscosos”?

    – Bem, “flexiscosos” significa “flexíveis e viscosos”. “Flexíveis” é o mesmo que “ágeis”. Veja que é como um portmanteau – há dois sentidos encaixados numa única palavra.

    – Agora percebo – Alice observou pensativa. – E o que são “mangartos”?

    – Bem, “mangartos” são coisas como texugos... São coisas como lagartos... E são coisas como saca-rolhas.

    – Devem ser criaturas de aparência muito curiosa.

    – Se são – disse Humpty Dumpty. – Também fazem seus ninhos sob relógios de sol... E também vivem em queijos.

    – E o que é “giroscopiar” e “verrumarar”?

    – “Giroscopiar” é fazer giros como um giroscópio. “Verrumarar” é fazer buracos como uma verruma.

    – E o “lafrás” é o gramado ao redor de um relógio de sol, suponho? – disse Alice, surpresa com sua própria ingenuidade.

    – Com certeza. É chamado de “lafrás”, você sabe, porque se estende muito à frente e muito atrás dele...”

    – E muito para os lados também – Alice acrescentou.

    – Exatamente. Bem então, “fristes” é “frágeis e tristes” (eis outro portmanteau para você.) E um “estornão” é um pássaro magro, de aparência esmolambada, com as penas arrepiadas ao redor – algo como um espanador vivo.

    – E os “caititurfas”? – perguntou Alice. – Receio estar dando muito trabalho a você.

    – Bem, um “caititurfa” é uma espécie de porco verde: mas de “malincondes” não estou certo. Creio que seja uma junção de “melancólicos e perdidos” – significando que estejam longe de casa, suponho.

    – E o que significa “arfolavam”?

    – Bem, “arfolar” é alguma coisa entre arfar e resfolegar, com um tipo de espirro no meio: porém, você o ouvirá... E quando o tiver ouvido ficará muito contente. Quem andou recitando todas essas coisas difíceis para você?

    – Li num livro – disse Alice. – Mas alguém me recitou outras poesias mais fáceis do que essa... Tweedledee, acho que foi.

    – Quanto a poesia, você sabe, – Humpty Dumpty disse, levantando uma de suas grandes mãos – eu posso recitar poesia tão bem quanto qualquer pessoa, se for o caso...

    – Oh, não é o caso – Alice se apressou em dizer, esperando que ele não começasse.

    – A peça que vou recitar – ele continuou, sem notar a interrupção – foi inteiramente escrita para o seu divertimento.

    Alice sentiu que, nesse caso, tinha mesmo de ouvir. Então se sentou e disse: – Obrigada – com certa tristeza.

    Quando chega o inverno, com seu alvo manto,

    para o seu deleite cantarei um canto...

    só que eu não canto – ele acrescentou à guisa de explicação.

    – Vejo que não – disse Alice.

    – Se você pode ver se eu estou ou não cantando, deve ter uma vista mais aguda que a da maioria – Humpty Dumpty observou com severidade. Alice permaneceu em silêncio.

    Quando é primavera de rico verdor,

    o que estou pensando tentarei expor.

    – Muito obrigada – disse Alice.

    Nos dias compridos do quente verão

    quem sabe você compreenda a canção.

    Quando o outono as folhas amarelecer,

    corra e anote tudo o que vou lhe dizer.

    – Anotarei, se puder me lembrar ate lá – disse Alice.

    – Não precisa ficar fazendo tais comentários – Humpty Dumpty disse. – Não são sensatos e me desconcertam.

    Mandei um recado aos peixes do mar:

    “Eis o que pretendo”, mandei avisar.

    Mas esses peixinhos do oceano sem fim

    logo responderam, me dizendo assim.

    Isto me disseram, sem como nem quê:

    “É que não podemos, meu senhor, porque...”

    – Receio não estar entendendo muito bem – disse Alice.

    – Fica mais fácil depois – Humpty Dumpty respondeu. –

    Ora, novamente lhes mandei dizer:

    “Saibam que é melhor não desobedecer.”

    Uma vez lhes disse, e outra vez lhes disse.

    Mas não houve um só que meu conselho ouvisse.

    Pois meu caldeirão, que era novinho em folha,

    apanhei de um golpe: não tive outra escolha.

    E então alguém veio para me instruir:

    “Aqueles peixinhos já foram dormir.”

    Pois eu lhe falei assim, abertamente:

    “Corra a despertá-los imediatamente.”

    Falei alto e claro, muito decidido.

    Dei um par de gritos bem no seu ouvido.

    Mas era orgulhoso e altivo o sujeito.

    Disse: “Não precisa gritar desse jeito.”

    Humpty Dumpty elevou a voz quase ao ponto de gritar, enquanto recitava essa estrofe, e Alice estremeceu pensando: “Eu não gostaria de ser o mensageiro por nada!

    Era muito altivo e orgulhoso de si.

    Disse: “Vou correndo despertá-los, se...”

    Logo um saca-rolha eu apanhei na estante:

    “Vou eu mesmo e acordo-os neste exato instante.”

    Mas quando me dei com a porta trancada,

    empurrei, dei chute, puxão e pancada.

    Quando achei a porta trancada por trás,

    experimentei a maçaneta, mas...

    Houve uma longa pausa.

    – Isso é tudo? – perguntou Alice timidamente.

    – É tudo – disse Humpty Dumpty. – Adeus.

    Foi muito repentino, Alice pensou: mas, após uma forte indicação de que ela devia partir, sentiu que não seria educado ficar. Então ela se levantou e estendeu a mão.

    – Adeus, até nos encontrarmos de novo! – disse com o máximo de animação que conseguiu.

    – Eu não a reconheceria de novo se nos encontrássemos – Humpty Dumpty replicou num tom descontente, dando a ela um dedo para apertar. – Você é tão idêntica às outras pessoas.

    – É pela cara que nos reconhecemos – disse Alice pensativa.

    – Pois é disso que me queixo – disse Humpty Dumpty. – Sua cara é a mesma de todo mundo, então... – (marcando os lugares no ar com o polegar) – ... nariz no meio, boca por baixo. É sempre a mesma. Agora, se você tivesse os dois olhos ao lado do nariz... ou a boca por cima... já seria de alguma ajuda.

    – Não ia parecer bem – Alice objetou. Mas Humpty Dumpty apenas fechou os olhos e disse:

    – Espere até ter tentado.

    Alice esperou um minuto para ver se ele falaria de novo, mas como ele não abriu mais os olhos nem lhe deu mais atenção, ela disse: – Adeus! – outra vez e, sem obter resposta, saiu andando devagar: mas não sem dizer a si mesma enquanto saía: – De todas as pessoas insatisfatórias... – (repetiu bem alto, como se fosse um grande consolo ter uma palavra tão longa para dizer) – ... de todas as pessoas insatisfatórias que eu já conheci... – Nunca terminou a frase, pois nesse momento uma forte pancada estremeceu a floresta de ponta a ponta.

    (Tradução de Renato Suttana)