27 de mar de 2008

Into the wild

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wild
terra agreste, deserto, ermo (também wilds). // adj 1 selvagem, agreste, silvestre, bravio. 2 não cultivado ou lavrado, inculto, não domesticado. 3 ermo, solitário. 4 desabitado, despovoado. 5 incivilizado, bárbaro. 6 arredio, assustadiço (pássaro). 7 indômito, irrestrito, desenfreado. 8 desarrumado, desarranjado. 9 turbulento, traquinas, travesso, alegre. 10 imoderado, extravagante, licencioso. 11 enfurecido, furioso, violento, frenético. 12 louco, desvairado. 13 precipitado, impensado, irrefletido. 14 fantástico, extraordinário. 15 Coloq. ansioso. 16 Coloq. longe do alvo. 17 tempestuoso. 18 perturbado (olhos). // adv 1 a esmo, à toa. 2 sem pensar. 3 descontroladamente. // wildly adv 1 de modo selvagem, agreste ou silvestre. 2 solitariamente. 3 desertamente. 4 de modo inculto, sem cultivo. 5 de modo incivilizado. 6 desenfreadamente, indomitamente. 7 turbulentamente, alegremente. 8 imoderadamente, licenciosamente. 9 furiosamente, freneticamente. 10 loucamente. 11 precipitadamente, impensadamente. 12 fantasticamente. 13 ansiosamente. 14 tempestuosamente. wild animals animais selvagens (ou silvestres). it gives me the wilds isso me deixa furioso, eu fico louco da vida. in wild spirits com disposição para brincar. a wild storm temporal furioso, tremendo. they were wild to see me eles estavam loucos para me ver. they were wild about books eles eram loucos por livros, gostavam demais de livros. don't drive me wild! não me desespere. she was wild with delight ela estava fora de si de alegria. to run wild 1 asselvajar. 2 perder(-se) por falta de cultura. 3 crescer sem instrução e educação. they shot wild atiraram a esmo. they talked wild eles falaram bobagens, falaram sem pensar. he is wildly excited ele está sumamente revoltado.

foi a melhor definição do filme que encontrei.

26 de mar de 2008

Racismo: uma vergonha que o Brasil ainda carrega

Esta notícia, eu a li indignada.
Um grupo de crianças, algumas negras e todas pobres, ao fazerem um passeio ao Jardim Botânico, foram expulsas de uma lanchonete dentro do parque.
Me lembrei, na hora, de uma imagem, que vi no banksy hoje. É assim o paraíso atualmente: bem vigiadinho para que os que não servem não atrapalhem a paisagem.
Espero que a notícia se espalhe, cause escândalo e tenha efeitos jurídicos e sociais.
Torço para que a instituição, coerente com seus objetivos tome medidas sérias. Não apenas quanto a este caso, mas para que não torne a ocorrer.

Acredito que não interesse mais aos que estão, de fato, interessados em um Brasil constituído por uma sociedade mais fraterna e justa, que palavras sobre Ética e Responsabilidade Social sejam decorativas em discursos inúteis:

"Consolidamos as ações da Instituição com as questões dos direitos humanos, saúde, educação e meio ambiente. Através da responsabilidade social, propiciamos assistência e assessoria aos cidadãos na defesa de seus direitos, proteção às famílias e suas futuras gerações, atendendo os mais diferentes segmentos da população.

Interagimos com a comunidade através da execução de Programas, visando minimizar as desigualdades sócio-ambientais e contribuímos para o exercício da cidadania.

Nossa participação implica em modernas políticas sociais públicas sócio-ambientais. Conseqüentemente, criamos uma rede de preservação e proteção sistematizada do meio ambiente, através de parcerias com grupos e organizações nacionais e internacionais." (http://www.jbrj.gov.br/)

24 de mar de 2008

ALMA, ESTÁS AÍ? I Encontro Bienal de Psicanálise e Cultura

Congresso muito interessante pela frente.

O objetivo do Encontro, segundo eles:

"O I Encontro Bienal de Psicanálise e Cultura da SBPRP tem por objetivo geral apresentar a Psicanálise em diálogo com diversos segmentos da cultura – artes plásticas, literatura, música, cinema, educação, filosofia, urbanismo – considerando-se que a Psicanálise, como área de conhecimento sobre o ser humano, encontra-se em permanente comunicação com a cultura, gerando influências recíprocas.
Como objetivo mais específico, pretende-se oferecer a profissionais e estudantes da área de ciências humanas e de saúde a oportunidade de ampliar e aprofundar reflexões sobre características da vivência humana nesse início de século, contemplando as principais angústias geradas nesse momento histórico – cultural. Espera-se ainda que o Encontro contribua para atrair à Ribeirão Preto profissionais e estudantes de várias regiões do país, uma vez que se trata de um evento de interesse nacional."

Aqui o endereço na net, da Sociedade Brasileira de Psicanálise de Ribeirão Preto, onde há todas as informações sobre este evento:

http://www.sbprp.org.br/bienal/apresentacao.asp

22 de mar de 2008

Páscoa

queria algum efeito
queria uma palavra perfeita
queria o gesto ideal
no mínimo, uma imagem imortal.


voltou a dormir.

(Liliane M. A. Silva)

19 de mar de 2008

Ah! Se fosse na Grécia!

Ela sempre gostara daquele prédio. Desde a primeira vez em que o vira.
Tinha cara de ser um destes bancos estilosos que gostam de apresentar toda a sua tradicional história em locais assim, clássicos. Mesmo quando eles têm 20 anos de idade e compram o que lhes aparecer pela frente. Uns novos ricos, umas Rainhas da Sucata!
Então... imaginou logo o dia da inaguração. E as pessoas se perguntando se não havia um equívoco e ali seria uma Biblioteca.
Porque, na verdade, era assim que ela o definira: um banco, com cara de Biblioteca.

Vejam só: um palacete, com altíssimas colunas na porta, uma escadaria curta e nobre descendo suavemente até a calçada, com paredes de mármore rosado, lindas janelas em vitrais e aquele telhado em V de cabeça para baixo? Só podia ser o quê? uma biblioteca, oras.
Se fosse na Grécia, ela teria jurado que era um Templo. Mas, ali, naquela terra?? Ou era museu, ou era biblioteca, ou era banco.
E justo, ali, naquela avenida?? Não poderia haver dúvidas.

E todas as vezes, namorava o bendito e pensava: "mas, que banco com cara de Biblioteca!!! é lindo mesmo. Um pecado um banco bonito assim"

Ao sair do cinema, depois de ouvir estórias que encheram os olhos de lágrimas, saiu saltitante vento à fora.
Agora era pegar o ônibus, atravessar duas horas de pontos cheios de gente e pontes entupidas de carros, chegar em casa e ver novela.

Mas, justo neste dia, quando pela enésima vez se encantou com o prédio do banco-que-devia-ser-uma-biblioteca, notou que havia um quadro de horários grande, bem na porta:


08:00 h.

17:00h.
18:00h
Semana Santa, todos os dias! Venha participar conosco!


E um portão lateral estava aberto.

Encafifamento geral. Pane esdrúxula!
O quê um banco tinha a ver com a Páscoa?
Curiosidade matou o gato. Mas, também foi o que fez Darwin vir para a América do Sul. E, sem dúvida, libertou as mulheres de serem evinhas-costela-de-adão.
Portão adentro.
meudeus! era um templo.
Lindo, simples, quieto, sagrado, quase vazio.
Ela se ajoelhou. Não despendurou a bolsa que estava atravessada no corpo, que uma coisa é ficar seguro em uma Igreja, outra é esquecer que se está no mundo.
Se ajoelhou e rezou. E se benzeu. E agradeceu. E enquanto elevava os pensamentos ao mais Alto, pensava: isto precisa ser colocado em conto no blog. Vai começar assim: "ela se ajoelhou."
A generosidade celeste é mesmo divina, pois não é que ao terminar ela estava novamente em lágrimas? E desta vez nem era com a estória dos outros; mas só assim...consigo.

(Liliane M. A. Silva)

3 de mar de 2008

Dia de Pão

Cozinhar é um negócio engraçado. Tem receitas mil para cada prato, e ainda assim cada um inventa mais uma pitada, um ingrediente, um tempo certo, um jeito único.
Tem quem tenha de fazer almoço. Mas, isto não é cozinhar, significa apenas botar o arroz no fogo, passar o bife e picar o tomate.
Tem quem, tendo de fazer de almoço, aproveita para cozinhar. Estes, antes mesmo de chegarem à cozinha, visualizam o prato pronto em suas cores, sentem o cheiro e enchem a boca d'água.
Nada de tempero pronto de supermercado. Isto é heresia pura. E tudo bem ser herético, mas algumas coisas na vida merecem o sagrado ritual dogmático. Pura fé. Heresias melhores são estas, as que não perdem a fé.
E cada dia parece ter cara de um prato diferente. Tem dia que é de pão, este pode ser tanto ensolarado quanto chuvoso ou completamente nevoado. A gente sente se o dia é de pão.
No caso do ensolarado, um ventinho gostoso entra pelas janelas e portas. A gente vai saltitante fazendo a massa e esperando que o cheiro se espalhe pela casa e vizinhança.
Já nos dias chuvosos ou nevoados, deixa-se uma fresta de janela aberta para o vento frio passear dentro de casa; é como dormir com um pé para fora do cobertor só para fazer contraste com o quentinho do corpo sob o cobertor. Nestes dias a gente vai, de acordo com a inspiração, tomando um café ou vinho enquanto prepara a massa. Acende o forno assim que possível e fica por ali esperando a massa crescer, enquanto lê algo ou faz um sudoku (ou arrumando a casa e lavando roupa mesmo, que nem todo dia é dia de índio né). E quando o pão assa é bom já ter a mesa posta, com manteiga, requeijão, geléia, queijo, café, chocolate. E, bem, se não tiver isto tudo na geladeira, sem problema! café fresco já está de bom tamanho.
Fazer pão é ato de fé. Nada indica que aqueles ingredientes resultarão em uma massa gostosa e bonita. Nem as receitas, afinal o que não falta é receita. E desde quando elas funcionam? Tem mesmo é de experimentar, aprender, descobrir e esperar.


(Liliane M. A. Silva)

2 de mar de 2008

à Ana

a chuva lava o prédio.
não deixa nem a mentira que ficara esquecida atrás do papel no fundo da gaveta.
aparece o fim.
o luxo escorre do quarto para o bueiro.
como deve ser.
como deveria ter sido, há tanto tempo.

a chuva lava o prédio.
o cheiro da bonança se avizinha.

(Liliane M. A. Silva)

Augusta

A avenida anoitece.
Fauna e filhos da noite despontam em portas e janelas.
Neons vagalumes convidam: entocar-se, só amanhã.
No Largo a venda é anunciada:"Aqui, minha gente! é dez real!!Pode vir"
Na Augusta a venda é desfilada: tem os bichos-grilo, as panteras em salto agulha, as meninas em rasteirinha, os moços de brinco, os carros de vidro fumê, os livros esparramados na calçada, as padarias se transmutando em diversão indisfarçável, os cinemas para os chiques, as esquinas para os descarados.
E um céu azul com as primeiras estrelas para todos nós.



(Liliane M. A. Silva)

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montanha de nuvens
céu de mentira
após o prédio encanecido.