16 de dez de 2009

2 de out de 2009

Estética Marginal - Moriyama

Saúde vendida em SP

Ato da Saúde na Paulista

Trabalhadores da saúde realizarăo ato público na Avenida Paulista sexta-feira, 2/10, denunciando o Governo do Estado pela aprovaçăo do projeto que amplia a terceirizaçăo da saúde pública no estado de Săo Paulo.

O protesto está marcado para começar ŕs 10 horas na esquina da Avenida Paulista com a Rua Bela Cintra e caminhada pelas calçadas da avenida até o prédio da TV Gazeta.

Os manifestantes, caracterizados, como acidentados, grávidas e profissionais de saúde, carregando cartazes e faixas, encenarăo o sepultamento do SUS pelo Governador do Estado e os 55 deputados da base governista que aprovaram a Lei Complementar nş 1.095/09 que amplia a terceirizaçăo da saúde em Săo Paulo.

A caminhada será silenciosa, acompanhada por uma música fúnebre. No encerramento, serăo soltos balőes com o apelo Salve o SUS.

MAIORES INFORMAÇŐES:

Sindicato dos Trabalhadores Públicos da Saúde no Estado de Săo Paulo
Rua Cardeal Arcoverde, 119 Pinheiros
05407-000 Săo Paulo/SP
Fone: (11) 3083-6100
www.sindsaudesp.org.br

3 de set de 2009

APOIO PÚBLICO recebido pelo CEDECA Interlagos

Associação Nacional dos Centros de Defesa da Criança e do Adolescente (ANCED)
Conselho Federal de Psicologia - CFP,
Conselho Nacional de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente -CONANDA,
Fórum Estadual de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente,
Luciano Araújo - Conselheiro Tutelar de Santana
ONG Comunidade Cidadã,
Agência de Cooperação Social Farol,
Célio Turino – Secretário Nacional de Cultura e Cidadania - MINC,
Cecup – Centro de Educação e Cultura Popular
Fórum Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente da Bahia,
Blog Infância Urgente de Givanildo Manoel,
CEDECA Bento Rubião
CEDECA Ceará
CEDECA Bahia
CEDECA Emaús – Belém do Pará
Fundação de Direitos Humanos Projeto Legal – RJ
Fórum Nacional de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente
CEDECA Rio de Janeiro
Curso Adolescência e Juventude na Contemporaneidade do Instituto Sedes Sapientiae;
Defensoria Pública do Estado de São Paulo;
Mestrado Profissional Adolescente em Conflito com a Lei da UNIBAN;
Núcleo de Pesquisa Violências: Sujeito e Política do Programa de Estudos Pós- Graduados em Psicologia Social da PUC-SP
ILANUD Brasil
Instituto Pólis,
Câmara Municipal de Fortaleza,
Alessandro de Oliveira Campos -Psicólogo e supervisor da Clínica de Psicologia Aplicada da Universidade Paulista Campus São José dos Campos,
Museu da Pessoa pelo "Um Milhão de Histórias de Jovens",
Fundação CASA/SP,
Ação dos Cristãos para Abolição da Tortura (ACAT-BRASIL),
LASAMEC – Laboratório de Saúde Mental Coletiva da Infância e Adolescência da Faculdade de Saúde Pública da USP
Ítalo Cardoso, Vereador de São Paulo
Membros da rede DNI – Defensa de Niños Internacional
E outras diversas pessoas que individualmente reconhecem o trabalho do CEDECA Interlagos

2 de set de 2009

Pronunciamento da Prefeitura de SP sobre o CEDECA Interlagos

O CEDECA Interlagos, como organização civil sem fins lucrativos, mantém convênio com esta secretaria para a prestação do serviço de Núcleo de Proteção Psicossocial Especial – NPPE -, que atende adolescentes em medida socioeducativa em meio aberto, ou seja, medidas de Prestação de Serviços a Comunidade – PSC – e Liberdade Assistida – LA. São atendidos 120 meninos e meninas por mês na região da Capela do Socorro. Portanto, o CEDECA como organização social, mantém sim convênio com a prefeitura, mas não para o atendimento de proteção jurídica que está sendo feito ao senhor Roberto Aparecido Alves Cardoso, conhecido com Champinha.

O serviço que o CEDECA está prestando a ele é uma oferta que todos os CEDECA´s espalhados pelo Brasil prestam a crianças, adolescentes e jovens de famílias que não tem condições de custear a sua própria defesa, direito previsto na Constituição Federal.

Secretaria Municipal de Assistência Social

imprensasmads@prefeitura.sp.gov.br

NOTA PÚBLICA DE APOIO AO CEDECA INTERLAGOS

As entidades abaixo firmadas, em razão da conduta injuriosa e difamante adotada por órgãos de comunicação contra o CEDECA Interlagos por sua atuação na defesa técnica de jovem privado de liberdade, vem a público expor o que segue:
1. A tragédia do assassinato de qualquer ser humano não pode ser tolerada e deve ser responsabilizada dentro dos paradigmas do Estado democrático de direito. Esta é a razão de existência das organizações de direitos humanos e das instituições públicas;
2. Uma sociedade é tão mais democrática quanto mais respeita o devido processo legal, o direito de defesa e o exercício do contraditório, princípios basilares do Direito. Não toleraremos que, no mês em que se completam 30 anos da Lei de Anistia, que marca a passagem da ditadura para a redemocratização, vozes conservadoras e autoritárias venham confundir a opinião pública e retroceder nos avanços dos últimos 20 anos;
3. Lamentavelmente, propostas de recrudescimento penal, patologização dos conflitos e higiene social voltam ao público, atingindo, sobretudo, as classes subalternizadas, os mais jovens, os negros, os moradores das periferias urbanas e todos os demais que a injustiça social historicamente excluiu neste País. Tais propostas inevitavelmente resultam em mais conflito e mais violência;
4. Nossa solidariedade com a dor das vítimas de quaisquer violências não pode se transformar em vingança nem legitima a destituição dos direitos. O desejo de vingança e a negação de direitos fundamentais não são o caminho para ampliar e assegurar a reparação de vítimas de violência, a justiça e da dignidade da pessoa humana. Tão mais vingativa for a sociedade, tão mais violenta será a realidade.
5. Vivemos atualmente um processo de criminalização dos defensores do Direito. Cotidianamente, meios de comunicação de massa, aproveitando-se da dor e da tragédia para aumentar seus lucros e audiência, e ampliar o ódio e a violência, desrespeitando a Constituição Federal, os direitos fundamentais e o interesse público;
6. Colocar a sociedade contra os direitos humanos ou contra as organizações que lutam bravamente para fazer do Brasil uma sociedade justa, igualitária e democrática é um ato irresponsável e deve ser repudiado. O caminho para a liberdade e para a democracia é o aprofundamento e a ampliação do exercício dos direitos. Não se promove a liberdade restringindo liberdade;
7. Entendemos que setores da mídia cumpririam seu papel público se, ao invés de buscar a espetacularização da violência e a criminalização dos defensores de direitos humanos, contribuíssem para a efetivação das garantias legais, permitindo efetivo controle social sobre as deficiências do Estado na socioeducação de adolescentes em conflito com a lei;
8. Nos solidarizamos com o CEDECA Interlagos e sua equipe de profissionais. Sua trajetória histórica e sua ação pública o credenciaram como uma das mais respeitadas organizações de direitos humanos no cenário nacional. A defesa técnica que promovem está de acordo com os paradigmas de direitos humanos, da Constituição Federal e dos princípios republicanos. Defender aqueles que são acusados de violar direitos é elemento imprescindível da democracia e condição para que a responsabilização seja, de fato, um caminho para uma sociedade que respeite os direitos humanos. Estar contra esta visão é se colocar contra o Direito.

Conselho Federal de Psicologia (CFP)
Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda)
Associação Nacional dos Centros de Defesa (ANCED)

ANCED

IV Seminário Juventude e Políticas Públicas

29 de ago de 2009

CEDECA Interlagos - Nota Pública

O Centro de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente de Interlagos (CEDECA Interlagos) é uma organização não-governamental que atua na região extremo sul da cidade de São Paulo.

Vimos, por meio desta, manifestar-nos publicamente acerca das reportagens veiculadas em órgão de imprensa nos dias 26 e 27 de agosto. As reportagens acusam este Centro de Defesa de utilizar de recursos públicos para defender o jovem apelidado por Champinha.

Tal acusação é improcedente. Apresentamos mensalmente de modo bastante transparente e assertivo a destinação dos recursos conveniados aos órgãos competentes, utilizados apenas para as atividades finalísticas planejadas nos projetos de convênio com as instituições governamentais. Ressaltamos que nenhuma atividade de defesa processual é financiada por recursos públicos governamentais.

Especificamente sobre o teor das matérias veiculadas pela emissora, durante os mais de três anos em que o jovem esteve internado na FEBEM/Fundação CASA, sua defesa foi realizada pela Defensoria Pública do Estado de São Paulo. Quando do surgimento do processo de internação hospitalar – pelo qual responde atualmente – a Defensoria Pública entrou em contato com o CEDECA Interlagos solicitando que assumíssemos a defesa, o que foi prontamente atendido. A defesa do jovem referido nas reportagens foi iniciada, pelo CEDECA Interlagos, quando ele ainda possuía menos de 21 anos de idade, especialmente em razão de sua trajetória no sistema sócio-educativo.

Diante disso, o CEDECA Interlagos nega, com veemência, quaisquer alegações contrárias as informações acima fornecidas. Há dez anos reconhecidamente lutamos pela garantia de direitos humanos para todos e compreendemos que também é nosso papel garantir o acesso a justiça de todos os seres humanos, especialmente crianças e adolescentes.

À disposição para outros esclarecimentos.

CEDECA Interlagos

23 de mai de 2009

memorial

ficou
do ribeiro, o que já era: pedra.
do cafezal, o que plantou: dinheiro.
da casa de esteio preto e parede branca: retrato.
do moinho de milho: os fantasmas.

mas, não morreu. restou lembrança.
tudo junto: laranjeiras, as quatro Romas, belos horizontes,tamanduateís e anhagabaús.

(Liliane M. A. Silva)

do quê

vou escrever um dia.
palavras lindas, puras, finamente entrelaçadas, corretamente pontuadas.
vou escrever um dia.
linhas puro-sangue.
alazão.
sem chances para o azarão.
vou escrever um dia.
iluminismos revestidos de barroquinas palavras.
dourados ortodoxos, lírios diáfanos, páginas chinesas.
vou escrever um dia.
virar poeta, ser sacerdotisa, escriba do que não sei.
vou me deter um dia,e esperar a inspiração.
vou me deitar um dia, me desmanchar em ilusão.
vou escrever um dia.
palavras ocas, roucas. todas de toucas, de tocaia.
linhas violáceas se dissolvendo em plúmbeo céu.
vou escrever por um dia
fazer chover três, dormir dez, comer vinte, ler tudo, morrer zero.
vou escrever.
um dia.

(Liliane M. A. Silva)

primícias de uma poeta

asdfg
çlkjh
qwert
poiuy

em cima os dedos não alcançavam
em baixo se embaralhavam.

pensou: falta disciplina.

sem saber, sentia:
já preferia as mil vãs filosofias.

(Liliane M. A. Silva)

bobagem

ponto meia ponto
ponto ponto meia
meia ponta
ponta e meia
meio meia
meio ponto
ponta e meia
meio pronta
meia ponta
pronto meia pronta
pronto ponto meia
a meia aponta
o ponto pronto

(Liliane M. A. Silva)

destelhamento

pó em eiras
chão sem beiras
azul esmaecido

zumbido fora
tambor na alma
baque final.

(Liliane M. A. Silva)

16 de mai de 2009

aff

tem dia que é de pão.
tem dia que é de festa.

tem dia.

melhor não.

(Liliane M. A. Silva)

não lavei a roupa
não pendurei a roupa

só varri o quintal
tomei vinho
fiz pão.

quis perguntar se isto é poesia.
mas, é só a vida.

(Liliane M. A. Silva)

c'est la vie

nem edith piaf
nem fazer pão
nem pensar
nem lavar vasilhas
nem feijoada


quem sabe, Deus?

(Liliane M. A. Silva)

ao pó voltarás

tudo ali.
cds
vinho
remédios
óculos para dias de (muito) sol
prestobarba para belas pernas

se poesia
se caos
se não
se sim

no Real, não faz diferença.

(Liliane M. A. Silva)

canoas

edith piaf
zeca baleiro
kleiton e kledir
de quantos cantores é?

pão de abóbora
feijoada
queijos todos
de quantos comeres é?

vinho tinto seco
suco de cupuaçu
água fresquinha
de quantos beberes é?

camisola negra
camiseta velha
vestidos longos mil
de quantos vestires é?

pai, mãe, irmãos, sobrinho
amigos
JR
de quantos amores é?

chuva
dia frio
verão na beira do mar
de quantos ventos é?

Emmanuel
Manuel de Barros
Cecília Meireles
de quantos escritos é?

de quantos paus se faz?

(Liliane M. A. Silva)

15 de mai de 2009

ESCCA



“Estou com muito medo do que vai ser agora,
estou no abrigo desde
que meu pai foi preso por mexer comigo,

Eu tinha 13 anos.

Minha mãe morreu doente,
fiquei sozinha com meus irmãos e meu pai,
não era bom,
meu pai não é bom comigo,
Entendi que não é culpa minha ele estar preso.

Desde que eu brincava de não podia falar,
mas meu pai gostava de brincar de boneca comigo,
ele era legal,
brincava horas enquanto minha mãe trabalhava,
mas agente nunca podia
contar pra ela o que a boneca fazia.

Me sentia mentindo pra minha mãe,
queria que ela brincasse também,
meu pai não deixava.
Meu pai gostava de mim...
Um dia a noite depois de todo mundo dormir
ele queria brincar comigo,
mas eu não queria mais,
a boneca estava chata,
pedi para não brincarmos,
eu estava com sono,
foi quando minha mãe abriu a porta e
meu pai bateu nela.

Ela não falou comigo, me senti mal,
mas ela não falou mais com ninguém em casa,
tive que vir pra cá e ela morreu.
Sinto falta e queria pedir desculpas a ela.

To com medo de sair daqui,
não quero casar, nem ter filhos,
vou ser sozinha agora,
não quero ninguém cuidando de mim,
não vou casar, não vou ter filhos,
não sei o que vou ser.”
(Fragmento ficcional a partir da experiência dos Educadores do
CEDECA Interlagos)

Indiferença. Omissão. Medo:
é o que fazem crianças contarem esta história. Histórias como estas acontecem todos os dias.

O que podemos fazer?
O que você pode fazer?

O MOVIMENTO É CULTURAL E A POLÍTICA É PÚBLICA

10 de mai de 2009

CEDECA Interlagos - Formação Interna

Pequenas Mãos

Pequenas mãos
(Adriana Oliveira)

Pequenas mãos são feitas de sonho e temor
Mãos pequeninas são para pequenos acenos
Para chuva de criança
Feita com tilintar de dedos

Nas mãos pequeninas cabem compaixão e medo
Se unem as pequenas mãos
Numa prece miúda
A pedir que o mundo não machuque
Não machuque ninguém

Breve tormenta, constante garoa
Qual a maior resistência?
Mãos pequeninas sobrevivem a ferimentos
Constroem, destroem

Outrora, foram as mãos dos
Meninos a modelar bocas de fuzis
Dedinhos inocentes e preciosos.

As mãos dos pequenos seguraram a dor da guerra.

Mãos pequenas podem produzir fogo ou artefatos delicados.
Mãos como as do cantor Victor Jará eram diminutas estendidas no chão,
Diante à desumanidade de calá-las
Essas pequenas mãos cantaram e cantam o provo até hoje.

Mãos pequenas seguram a história
Parecem ter sempre amarrada ao dedo mínimo uma rabiola de esperança.

Pequena música
Pequeno aceno
Pequeno movimento
Mistura-se na imensidão da totalidade
Janela aberta pequenina
A permitir entrar somente o pásssaro
Do canto mais profundo do mundo

Sangüíneas
Perduráveis

Mãos pequenas quebram-se fácil
Têm surpreendente recuperação
Pequenas mãos medem pouco
Por vezes calculam menos
Enroscam-se em fios
A encontrar mãos enormes
Carregam fardos
De outra, não suportam o peso da bandeira
Mas tem medidas precisas para agarrar a haste
São delicadas para costurar cores
Desperta e ágil a tingir o vermelho
Palmas pequeninas na canção da multidão
Ligeiras e providenciais no tumulto


Mãos pequeninas apertam mãos ásperas
como quem entende a história do mundo
Escrevem, porque a caneta cabe perfeito
Pequenas mãos colorem delicados detalhes
e propagam as imagens mais intensas
guardadas no fundo dos olhos

Chama pequenina
Pequenina gana
Beatifica essas mãozinhas
Para que elas segurem minha alma.

entre

goteira infeliz
rio na parede
luz entretelhas

a poesia, de vida mambembe
faz a tradução:

sonzinho da chuva
cascata no quarto
a lua vem visitar.

um dia os ímpios dirão:
que bela vida!

um dia, talvez, a poesia terá vencido.
feito sentido.


(Liliane M. A. Silva)

pomar

me falam em finuras

no falar
no agir
no andar

ainda vá lá.

nem me falem em finuras
no comer
no amar
no viver

viver exige
jaca
goiaba
angu
torresmos
taioba
manga.

canapé serve para vernissage
rapadura para o dia a dia.

(Liliane M. A. Silva)

elipse

geleiras
aquíferos
cinco graus
e tudo vai pelo ralo

a ralé ficará debaixo d'água
insetos serão os exércitos
metrópoles, desertos

catástrofe
fim
aguardado
sabido
sequer adiado

geleiras
aquíferos
cinco graus
elipse das primícias.

(Liliane M. A. Silva)

se aqui voltar

ó sinhô
se vim foi pra dizer
que num tem palavra, não.

num teve linha que fizesse nó.
agulha tomou ferruge na caixola.
da mão, só restou aceno de adeus

ó sinhô,
ieu sei que foi prometido
e que cumbinado num é caro
mas o sinhô há di intendê
que só sabe de todas as linhas do amanhã
aquele que sabe também todas as de ontem.

ieu fiquei de contar
fiquei de pensar
fiquei de explicar

mas que vou fazer?
explicação não tem
pensar já parou
contar é demais.

eu vim foi para dizer
tem palavra não.
vou voltar lá
ficar só no viver.
o que posso prometer
é que se acaso um dia
aparecer letra que faça ponto
aqui voltar e palavrear

(Liliane M. A. Silva)

25 de mar de 2009

Profeta Marx

"Os donos do capital vão estimular a classe trabalhadora a comprar bens caros, casas e tecnologia, fazendo-os dever cada vez mais, até que se torne insuportável. O débito não pago levará os bancos à falência, que terão que ser nacionalizados pelo Estado"
Karl Marx, O capital, 1867

24 de mar de 2009

II Ciclo de Conferências da Defensoria Pública do Estado de São Paulo


Parque Cocaia I paralisa a Av. Dona Belmira Marin



Os moradores do Parque Cocaia I paralisaram a Av.Dona Belmira Marin,tendo em vista que o Programa Manancias insiste em desconsiderá-los enquanto cidadãos com direito plenos.


Este ato é em defesa das 3 mil pessoas que estão sendo despejadas de suas casas pelo Programa Mananciais de urbanização,em cujo orçamento sabemos haver recursos para um atendimento integral e digno no que diz respeito à moradia.


A polícia já está no local, situação que pode significar a criminalização dos moradores mais uma vez!!!!Por isto pedimos a todos que possam colaborar na divulgação em suas redes deste Ato Politico de Defesa da Moradia e Resistência dos Moradores do Parque Cocaia I.

Homofobia na UFMG

HOMOFOBIA NA MORADIA UNIVERSITÁRIA II DA UFMG
Na madrugada do último sábado, dia 14 de março de 2009, o estudante de Artes Visuais da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Fernando A. S. F., foi vítima de violenta agressão física e verbal, de cunho homofóbico, praticada às portas da Moradia Universitária II da UFMG, onde reside. Tal agressão prosseguiu dentro da Moradia, sob os olhares dos seguranças universitários, que demoraram a intervir na situação.O estudante agredido procurou o Grupo Universitário em Defesa da Diversidade Sexual (GUDDS!) que vem a público pedir a mobilização da comunidade universitária, da sociedade civil organizada (em especial dos grupos do Movimento LGBT e do Movimento Estudantil de todo o Brasil) e de todas/os as/os cidadãs/ãos aos quais essa carta chegar, a fim de que providências sejam tomadas no tocante a esse caso explícito de violência homofóbica e no combate a outras manifestações homofóbicas que ocorrem dentro da Universidade Federal de Minas Gerais. Nesse sentido, pedimos que manifestos de repúdio a essa ação e à postura da segurança universitária sejam enviados ao Reitor da UFMG, o Prof. Ronaldo Tadêu Pena e à Presidente da Fundação Universitária Mendes Pimentel/FUMP (responsável imediata pela administração das Moradias Universitárias), a Profª. Rocksane de Carvalho Norton, conforme indicações presentes ao fim desta carta aberta.Na madrugada do dia 13 para o dia 14 de março de 2009 (sexta para sábado), o estudante Fernando e duas amigas retornaram de táxi para a Moradia Universitária II da UFMG, onde residem. Distante apenas três passos do portão de entrada, Fernando foi atingido nas pernas por um chute, desferido pelas costas por outro estudante da UFMG e também morador da Moradia II, que estava acompanhado de sua namorada. Ao virar-se, Fernando foi novamente atingido, agora com um soco em sua boca. Essa agressões físicas eram acompanhadas por insultos homofóbicos como “viado” e “bicha”. Tais agressões continuaram mesmo dentro dos portões da Moradia Universitária II da UFMG, sob os olhares de dois agentes da segurança que acompanhavam tudo desde o início. Diante da imobilidade dos seguranças, uma das amigas de Fernando tentou socorrê-lo, passando a ser também agredida: pela namorada do agressor que a agarrou pelos cabelos, e por ele próprio, que chutou suas costas. Apenas após a agressão à moça, os seguranças tomaram providências, segurando o estudante. Este, logo em seguida, deixou o local com sua namorada dizendo “vamos embora, já consegui o que eu queria” e proferindo mais ameaças. Além disso, nesse mesmo dia, o agressor fez declarações, a outros estudantes residentes na Moradia II, que demonstram sua rejeição a homossexuais, utilizando expressões como “nojo a homossexuais” e referindo-se de modo pejorativo ao apartamento no qual Fernando residia, chamando-o de “gaiola das loucas”, para dizer que lá só moram gays. Ressaltamos que durante todo o momento em que as agressões físicas ocorriam, o estudante e sua namorada insultavam Fernando com dizeres de depreciação e ofensa relacionados à homossexualidade, caracterizando motivações homofóbicas dos agentes. Outras pessoas presenciaram tais acontecimentos e confirmam os fatos relatados, dispondo-se a prestar depoimento judicialmente.Questionamos a (des)atenção dispensada pela UFMG na formação e instrução de seus profissionais de segurança, que assistiram e permitiram tamanha agressão homofóbica, intervindo apenas após a violência física ter se entendido a uma das moças presentes.Compreendemos que a agressão ocorrida não atinge somente ao Fernando e sua amiga. Ela se estende àqueles e àquelas que não são heterossexuais e que são juntamente inferiorizados pela reafirmação da homossexualidade no lugar da escória social. A violência homofóbica atinge também toda comunidade acadêmica que convive, há anos, com o preconceito presente em nosso dia-a-dia e nos trotes de recepção aos calouros de alguns cursos. É esse mesmo preconceito, legitimado pela permissividade institucional existente quanto às suas manifestações mais sutis ou tidas como inofensivas (como os trotes homofóbicos), que se materializa nessa agressão absurda.A Reitoria da UFMG recebeu essa denúncia formalizada pelo próprio estudante e pedidos de providências elaborados pelo GUDDS! e por outros órgãos dessa Universidade. Contudo, acreditamos que o apoio em massa da comunidade universitária, dos Movimentos Sociais e demais cidadãs/ãos é de essencial importância para que providências realmente eficazes sejam tomadas pela Administração Central da UFMG e pela Direção da Moradia Universitária II, no tocante a essa e outras manifestações homofóbicas, já que elas se repetem nos espaços dessa Universidade sem necessariamente ganharem visibilidade. É necessário que os fatos sejam apurados, e que ocorram medidas punitivas aos agressores e seus cúmplices.Por todo o exposto, convocamos todas e todos a somar esforços na solicitação de providências por parte dos órgãos competentes, encaminhando manifestos de repúdio à violência sofrida pelo estudante Fernando, à postura da segurança universitária e a toda forma de homofobia, às seguintes autoridades na UFMG:
Profª. Rocksane de Carvalho Norton Presidente da Fundação Universitária Mendes Pimentel – FUMP (Fundação privada de apoio à UFMG responsável pelas Moradias Universitárias) Tel: (31) 3213-7518 / (31) 3274-6591 / (31) 3213-7448
Av. Afonso Pena, 867 - 20º e 21º andares - CentroBelo Horizonte, MG / CEP: 30130-002 Prof.
Ronaldo Tadêu PenaReitor da Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG Tel: (31) 3409-5000 / Fax: (31) 3409-4188reitor@ufmg.br Av. Antônio Carlos, 6627 - PampulhaBelo Horizonte, MG / CEP: 31270-901 Indignad@s, Grupo Universitário em Defesa da Diversidade Sexual / GUDDS!guddsmg@gmail.comhttp://guddsmg.wordpress.com/

Carta à Folha de São Paulo

Ao Jornal Folha de S. Paulo,
O Centro de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente de Interlagos (CEDECA Interlagos), vem por meio desta manifestar publicamente seu desagrado com a maneira com a qual a Folha de S. Paulo vem lidando com questões sociais e políticas em seus editoriais. Lamentamos por matérias inoportunas que rechaçam em muitos aspectos as crenças e a atuações de diversificados coletivos de luta por direitos humanos, especialmente por se tratar de um veículo de grande alcance e um importante formador de opinião. A recente matéria publicada num editorial do jornal utilizando o termo “ditabranda” para caracterizar o regime militar brasileiro em comparação com as ditaduras no Chile e na Argentina é um claro exemplo.
O CEDECA Interlagos, entidade que luta há 10 anos pela defesa de direitos humanos de crianças e adolescentes, sente-se profundamente ultrajado, pois lidamos cotidianamente com os resquícios de um regime militar no país que deixou cicatrizes doloridas em muitas famílias, assim como ecos sociais e políticos que se tornam uma herança não grata a tantos militantes de direitos humanos no Brasil. Exemplo disso é, na própria Constituição Federal, a ausência de alteração significativa somente na parte relativa à Segurança Pública.Assim, como a reportagem “Harvard no Cantinho do Céu”, a reportagem trás nuances preconceituosas ao apresentar a comunidade do Cantinho do Céu, expondo moradores com perguntas descabidas que culminam com um olhar estigmatizante daquela comunidade, num entendimento de que as comunidades pobres são focadas no Carnaval, isolam-se como em guetos, negando grande parte da potência de participação popular para a transformação social que possuem. Entendemos que o estabelecimento de relações desse porte poderia ser extremamente benéfico quando bem conduzidas, dando oportunidade para um olhar crítico às periferias de grandes centros urbanos, apresentando aspectos diferenciados de nossa cultural para além de uma reafirmação do “mais do mesmo”.Lamentamos e nos opomos a qualquer entrada como essa em qualquer comunidade, que apresentam homens e mulheres como objetos de estudo e não como pessoas, sujeitos de direitos humanos acima de tudo, que merecem respeito e um olhar cuidadoso para sua história social e política.Por essa razão, estamos cancelando nossa assinatura ao Jornal Folha de S. Paulo (jornal que dispusemos em nossa recepção por sete anos para comunidade do entorno e trabalhadores/as da casa) e reiteramos que discordamos da postura de um veículo de informação, formador de opinião que, ao publicar matérias como essas, nega o passado recente de horror e de massacre intelectual, cultural e social de todo o povo brasileiro, assim como reafirma mecanismos de negação da participação popular e de um olhar fraterno e diferenciado para a realidade social de nosso país.
Sem mais,Trabalhadores e Trabalhadoras do CEDECA Interlagos
10 anos de luta pela Efetivação de Direitos Humanos de Crianças e Adolescentes

14 de mar de 2009

Parque Cocaia I

PARQUE COCAIA I

HISTÓRIA DA DESAPROPRIAÇÃO DA

COMUNIDADE PELO PROGRAMA MANANCIAIS

(texto produzido pelo CEDECA Interlagos)

· Desde o ano de 2008 os moradores do Parque Cocaia I, tem buscado informações junto ao Programa Mananciais e o Operação Defesa das Águas sobre os projetos de urbanização para a sua comunidade. Foram informados em reunião com o responsável pelo Programa Mananciais, em reunião no mês de Novembro, sobre a chegada do projeto de urbanização entre os meses de janeiro/março de 2009, e também sobre o processo de negociação com a comunidade de modo que nenhum morador fosse dali retirado sem uma alternativa digna de moradia, se possível e preferência na mesma região de convivência da família e instituições. Segundo ele tudo isto seria possível já que o Programa possui financiamento das três instâncias do poder público, e considerou em seu orçamento a questão da retirada de moradores, se necessário. É importante dizer que no projeto de urbanização constam 80 comunidades que, tal qual o Cocaia I sofrerão intervenções de urbanização; portanto, a tragédia desta comunidade não é a primeira e não será a última ação oficial de um governo que desconsidera alguns dos moradores da cidade de São Paulo como sujeitos de direito.

· O Programa, de fato, chegou na comunidade no mês de Janeiro de 2009, mas ao contrário do que foi dito, casas foram marcadas com números e letras incompreensíveis aos moradores; máquinas e tratores começaram a abrir ruas; funcionários da empresa de engenharia Santa Bárbara avisaram que os moradores seriam dali retirados por se encontrarem em área de risco e que a ÚNICA solução possível era eles aceitarem um cheque no valor de oito mil reais e acatarem o prazo de dez dias para irem embora. Este prazo se encerra neste sábado, dia 14 de março de 2009.

· Isto tudo é bastante coerente com as ações do Operação Defesa das Águas (projeto da Prefeitura de SP) que vem, há mais de um ano, despejando moradores da região da Capela do Socorro de suas casas, oferecendo como indenização cheques que vão de 5 a 8 mil reais, passagens para retorno à terra natal, bolsa aluguel de alguns meses, dispersão em alojamentos em que se misturam famílias e comunidades. Isto quando os moradores são simplesmente deixados em meio à rua, sem seus pertences (todos destruídos pelos tratores que derrubam as casas), sem dinheiro, sem destino que não outras periferias tão pobres e tão sem condições de habitabilidade quanto as primeiras.

· Esta comunidade, assim como outras da região, é atendida pela Defensoria Pública do Estado de São Paulo e União de Movimentos de Moradia, através da Jornada de Moradia e Meio Ambiente de São Paulo. Ao participar da 2ª Jornada de Moradia de SP foi possível conhecer muitas outras comunidades em outras regiões de SP, em que a situação é a mesma, Moradores sendo coagidos a aceitar entre mil e duzentos a cinco mil reais de indenização por suas casas e deixados à própria sorte.

· Há nesta comunidade cerca de mil famílias e três mil pessoas. Centenas de crianças e adolescentes. Alguns moradores aqui se encontram há mais de 30 anos. Construíram não apenas suas casas (muitas de madeira, tapume) ás margens da represa Billings, mas também suas vidas. Não se recusam a sair, tendo em vista sentirem na própria pele as condições adversas em que vivem, em lugar tão impróprio à moradia digna. Entretanto, se recusam terminantemente a serem tratados como lixo indesejável, como seres humanos de menor categoria, de menor valia. Conscientes de seus direitos à Moradia Digna insistem em participar dos planos do Programa Mananciais para as suas vidas e não serem jogados no meio da rua. Rechaçam qualquer tentativa de reproduzirem lógicas ideológicas em que são desconsiderados em seu lugar de sujeitos da própria história.

· Daqui não sairão sem que tenham respeitados os seus direitos de Gente.



28 de fev de 2009

Binho Santos

GÊNESIS
(Binho Santos)


Existe a força.
Existe a necessidade.

Existe o medo que encoraja,
a coragem que arrefece.

(Tudo o que existe
avoluma-se no Nada)

E existe aquilo que nomeia,
o que mais a ação não pode:
água grossa e atual
nas letras do engano,
nas formas da fuga,
nas curvas das cruzes...

E existe o amor
e a dúvida...
E existe a dor
e a dádiva...

E existe aquilo que nomeia
o amor e a dúvida
e a dor e a dádiva...

A vida ... existe a vida,
aquilo que dá nome à vida:
o Fato, o Fado, o Fardo ... o Sonho...

30 de jan de 2009

FSM - diretamente de Belem

E o Forum chegou. Já lá em SP, sábado passado, às 21:30. Ainda assustados com os cinco Estados brasileiros que atravessaríamos para chegar no tal Belem-do-Pará, deixamos para trás as luzes feéricas de sampa para amanhecermos na bucólica paisagem de Goiatuba/GO. Tocantis chegou rápido, amanhecemos Maranhão e anoitecemos Belém. Estava logo ali, e nós não sabíamos. Tão pertinho que parecia estarmos na periferia de SP.
Temos sido recebidos aqui de um modo tão carinhoso e familiar por todos que a vontade é de aprende a viver no CLIMA EQUATORIAL (leia-se calor inacreditável).
A passeata de abertura do Forum foi um Acontecimento, destes que marcam a vida da gente, que serão lembrados e contados a todos aqueles que nos oferecem uma oportunidade. Do sol escaldante até chegarmos à Escadinha (nas docas de Belem) nos vimos sob uma chuva torrencial logo no início da caminhada. Foi perfeito: refrescou o corpo e lavou a alma, ajudou a levar mais longe a alegria e a esperança da multidão que comemorava o encontro dos Homens de Boa Vontade, estes que não apenas desejam a Paz, mas se colocam a trabalho para dar materialidade a este sonho, quase impossível. Todas as cores, todas as gentes em um único convite àqueles que, de fora, observavam ressabiados os que traziam nos olhos e nas mãos dadas a fé, em um mundo diferente - e melhor.


O Forum está acontecendo, prioritariamente, em dois espaços: a Universidade Federal do Pará e a Universidade Federal Rural do Pará. Dois universos vizinhos, dois Foruns em uma mesma cidade. Duas Festas necessárias, dois banquetes de que Platão se orgulharia. Agalmas para todos os gostos.

Nós, lá chegamos com nosos bonecos, panfletos, histórias e simbora andar os campus!! Parar, conversar, contar, ouvir, compartilhar. Andar mais. Parar, conversar, contar, ouvir, compartilhar, abraçar. Andar mais. Parar, conversar, contar, ouvir, abraçar e reencontrar. Andar mais.
Andantes, andores - do que deve ser universal: ser gente e ter seus direitos respeitados.
Belem já não é -do-Pará. É nossa também. De todos nós que aqui estamos, cidade linda e corajosa.

19 de jan de 2009

Parnaíba a São Luís




E as histórias agora são da travessia do delta do Parnaíba até São Luis, já ali no Maranhão.
O grupo tem uma nova integrante, a Roberta. Nossa companheira aqui do CEDECA Interlagos, ela está representando a ala feminina que não pôde viajar com os meninos.

14 de jan de 2009

Piauí chegou!




Percorrendo cerca de 100 km por dia, atravessaram o Ceará descobrindo pessoas gentis, fortunas na natureza e tristezas capitalistas.
talvez possamos usar da licença poética e parafresear vó Carmela: lá a "água brota na parede".

8 de jan de 2009

Itapipoca!




Os meninos (Cadu, Daniel e Rodrigo) já chegaram à Itapipoca!
O Nordeste logo ali, atrás das coisas que os turistas conhecem e as manchetes contam, já começa a aparecer.

FSM em duas Rodas

O Forum Social Mundial este ano acontecerá em Belem/PA.
Os preparativos da viagem já começaram para alguns. Outros, mais aventureiros já puseram os pés na estrada.
Dois amigos queridos fazem parte desta turma: o Daniel e o Cadu.
Eles saíram de São Paulo rumo a Fortaleza de ônibus e de lá já estão pedalando desde ontem, a caminho de Belém.
Isto mesmo!! As veredas nordestinas percorridas de bicicleta e mochila nas costas.
A idéia é audaciosa e encantadora.
E nós podemos, pelo menos, ter notícias das peripécias e meandros desta longa jornada. No Blog deles:

http://www.fsm2rodas.blogspot.com/

Um abraço aos meninos!!
Sigamos juntos!