9 de abr. de 2012

Brasil: Eleições 2012 - ainda há tempo

Ainda há tempo
2012 está em pleno abril.
As eleições este ano já movimentam não só os partidos, mas também os movimentos sociais.
Movimento é um significante interessante. No guru virtual Wikipédia, encontramos:

Em física, movimento é a variação de posição espacial de um objeto ou ponto material no decorrer do tempo.

Na filosofia clássica, o movimento é um dos problemas mais tradicionais da cosmologia, desde os pré-socráticos, na medida em que envolve a questão da mudança na realidade. Assim, o mobilismo de Heráclito considera a realidade como sempre em fluxo. A escola eleática por sua vez, principalmente através dos paradoxos de Zenão, afirma ser o movimento ilusório, sendo a verdadeira realidade imutável.

Aristóteles define o movimento como passagem de potência a ato, distinguindo o movimento como deslocamento no espaço; como mudança ou alteração de uma natureza; como crescimento e diminuição; e como geração e corrupção (destruição).

No universo descrito pela física da relatividade, o movimento nada mais é do que a variação de posição de um corpo relativamente a um ponto chamado "referencial".

Há considerações para todos os gostos. Ilusão ou verdade? Lacan não está aí entre os citados, mas há duas afirmações dele que também podem ser trazidas para pensarmos o "movimento": "todo ponto é ponto de partida" e "a verdade só pode ser meio-dita".
Então, quanto de ilusório ou de verdadeiro o movimento produzido em nossas cidades, em torno das eleições de 2012 e já articulado às eleições em nosso país, é questão que precisa ser sempre investigada.
Se a informação não é detentora da verdade, posto que só pode ser meio-dita, ela é, entretanto, um recurso importante. Tão importante que os partidos investem parte significativa de seus orçamentos à "produção" de informações que apresentem e convençam os sujeitos se tornarem eleitores de seus cadidatos.
Mas, não é recurso exclusivo dos partidos. Nem dos movimentos sociais. É possível a cada um.
As eleições continuam sendo um momento/espaço (opa! e o movimento aí? quão ilusório ou verdadeiro?) a ser ocupado por todos e cada um de nós. A cada ponto.
Aqui está um deles:

http://www.excelencias.org.br/

Apostar no movimento. Na mudança não só de posição espacial, mas de posicionamento ético no laço social. Ter lucidez das infinitas nuances do jogo político, mas exigir de modo intransigente que a meia-verdade possível de ser dita aí seja autêntica e legítima. E se há os que não se lembram que isto quer dizer honestidade entre o compromisso assumido com o povo que o elegeu e as práticas cotidianas no exercídio do poder público; isto não deve constituir obstáculo intransponível a cada um que traz no peito a esperança e na luta diária ações que transformam o mundo.
A realidade é sempre um fluxo? Mas, não é sem materialidade. Histórica. Complexa. Matéria prima que não é tabula rasa e está disponível aos nossos saberes e fazeres, na produção de um futuro tão semelhante ou distinto do passado quanto permitir o entrançamento de nossos desejos e atos políticos hoje.
A luta continua! E se já não é com todos os mesmos companheiros de ontem; outros chegaram e se achegarão. Porque se há algo inegociável é o ponto ético a partir do qual nos demos as mãos. Este ponto se movimenta sim, mas é no deslizamento que insiste em manter acesa a ideia de um tempo de respeito e solidariedade entre os Homens, apesar dos muitos sofismas em torno da governabilidade em tempos de discurso capitalista.
Ainda há tempo.

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