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25 de fev. de 2008

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lá no céu restou o brilho da Lua.
aqui, a cidade não dorme e tudo se ilumina.
em você, algo nunca se apaga.

(Liliane M. A. Silva)

zarpar




Antes de entardecer o céu escureceu. Ao cairem as primeiras gotas d'água, da muita que fora guardada no céu, decidiu-se: organizar caravelas e em uma manhã clara, de chuva mansa, partir.
Buscar as Índias, atravessar oceanos de tempo e encontrar as Américas.
Vislumbrar o paraíso e descobrir-se em um inferno de milhares de pequenos pernilongos.
Escalavrar os pés ao carregar no próprio lombo as tantas caixas que um dia lhe pareceram preciosidades necessárias. Dormir sob um céu de estrelas e beber água pura.
Anoitecer desiludida. Acordar deslumbrada.
Encontrar os Astecas e desta vez escolher fazer outro laço: aprender sobre as estrelas, a não temer a ingenuidade, a ouvir o caminho. Entender o sacrifício e cantar aos deuses. Viver sabendo sobre o fim. Desejar além dos muros.
Escalar rochedos e lá de cima, um dia, ao morrer, dizer com o último suspiro: até aqui cheguei; feliz.



(Liliane M. A. Silva)

13 de nov. de 2007

a-Finado

Dia del sol em dia que já foi só de chuva.
Beira do caminho.
Estrada real.
Passarim ficou escondido,
do rádio que toca funk.
Tanto alarido, tanto ruído.
Só para disfarçar a falta de graça.
Também pode ser
para escapar de tão simples Graça.
É que o dia já vai bonito, calmo, bom.
E quem dá conta de tanto?
É preciso disfarçar que se é feliz.
Gonzaguinha avisou.
A gente cantou.
Mas sei lá se adiantou.
Música que não nasce da alma
Poesia que não escalavra lembranças
Só faz fazer ruído, alarido.
Sair da rima, desafinar.
Ouvir piriguete.

(Liliane M. A. Silva)