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13 de nov. de 2007

Afinar

O dia correu.
El sol em dia de rei.
Montanha sagrada,
paisagem adorada.
Antiga lavra,
agora é nova.

O dia correu.
Os passos foram refeitos.
Antigo caminho,
agora acertado.
Se despedindo: o sol e eu.

A Lua nasceu.
Cheiro bom de tanto tempo.
Luz amarela escapulindo em vãos.

A noite desceu.
Sons que só reverberam na alma,
transformam o alarido em vazio.
Refazem a noite em antigas madrugadas,
em céu infinitamente estrelado
em sonho infinitamente sonhado.

A madrugada floresceu
Até a manhã chegar
É aqui que vou ficar.
Suspensa entre lavras novas e ouro preto.

Dia del sol, em dia que já foi só de chuva.
É hora de a-finar um momento.
É hora de afinar novo tempo.
Achar a rima
ouvir Alice e amar Abèlard.

(Liliane M. A. Silva)

a-Finado

Dia del sol em dia que já foi só de chuva.
Beira do caminho.
Estrada real.
Passarim ficou escondido,
do rádio que toca funk.
Tanto alarido, tanto ruído.
Só para disfarçar a falta de graça.
Também pode ser
para escapar de tão simples Graça.
É que o dia já vai bonito, calmo, bom.
E quem dá conta de tanto?
É preciso disfarçar que se é feliz.
Gonzaguinha avisou.
A gente cantou.
Mas sei lá se adiantou.
Música que não nasce da alma
Poesia que não escalavra lembranças
Só faz fazer ruído, alarido.
Sair da rima, desafinar.
Ouvir piriguete.

(Liliane M. A. Silva)