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17 de fev. de 2012

Educação não é Mercadoria!! Protesto contra 9,9% na PUC Minas


“Passei no vestibular, mas a faculdade é particular: livros tão caros, tanta taxa pra pagar. Meu dinheiro muito raro, alguém teve que emprestar”, diz o trecho do samba de Martinho da Vila, O pequeno burguês. O refrão da música foi cantado ontem por universitários da PUC Minas, no câmpus São Gabriel, num protesto carnavalesco contra o reajuste das mensalidades da instituição. Munidos de serpentina e confete, dezenas de estudantes sambaram ontem para cobrar da reitoria que revogue o aumento de 9,8% aplicado este ano. Eles questionamo fato de a correção ter superado em 50,76% a inflação oficial no período.

A PUC Minas informou ao Estado de Minas, por meio de sua assessoria de imprensa, que o reajuste considera a variação de preços da planilha de custos da instituição. Estava agendada para ontem uma audiência pública sobre o assunto, mas a reitoria antecipou aos organizadores do protesto que não compareceria. Por isso, um documento deve ser entregue aos representantes da instituição nos próximos dias.

O protesto dos estudantes teve início na semana seguinte ao anúncio oficial do aumento, quando os alunos ainda estavam de férias. Os organizadores do movimento criaram uma petição online para pedir esclarecimento sobre os novos valores da hora-aula, que teve 1,7 mil assinaturas (vale ressaltar que inclusive pessoas que não são matriculadas podem assinar). “Consideramos que essa taxa encontra-se completamente fora da realidade dos estudantes desta instituição, haja vista que o aumento salarial médio dos trabalhadores no ano de 2011 foi de 5,9%. Solicitamos que o reajuste das mensalidades seja revogado, e que se estabeleça, a priori, um diálogo com as instâncias do movimento estudantil acerca de tal medida”, diz o texto.

Meia-Verdade é diferente de Mentira

Luís Fernando Veríssimo e a Verdade






Uma donzela estava um dia sentada à beira de um riacho deixando a água do riacho passar por entre os seus dedos muito brancos, quando sentiu seu anel de diamante ser levado pelas águas. Temendo o castigo do pai, a donzela contou em casa que fora assaltada por um homem no bosque e que ele arrancara o anel de diamante do seu dedo e a deixara desfalecida sobre um canteiro de margarida. O pai e os irmãos da donzela foram atrás do assaltante e encontraram um homem dormindo no bosque, e o mataram, mas não encontraram o anel de diamante. E a donzela disse:
- Agora me lembro, não era um homem, eram dois.
- E o pai e os irmãos da donzela saíram atrás do segundo homem e o encontraram, e o mataram, mas ele também não tinha o anel. E a donzela disse:
- Então está com o terceiro!
Pois se lembrara que havia um terceiro assaltante. E o pai e os irmãos da donzela saíram no encalço do terceiro assaltante, e o encontraram no bosque. Mas não o mataram, pois estavam fartos de sangue. E trouxeram o homem para a aldeia, e o revistaram e encontraram no seu bolso o anel de diamante da donzela, para espanto dela.
- Foi ele que assaltou a donzela, e arrancou o anel de seu dedo e a deixou desfalecida – gritaram os aldeões. – Matem-no!
- Esperem! – gritou o homem, no momento em que passavam a corda da forca pelo seu pescoço. – Eu não roubei o anel. Foi ela que me deu!
E apontou para a donzela, diante do escândalo de todos.
O homem contou que estava sentado à beira do riacho, pescando, quando a donzela se aproximou dele e pediu um beijo. Ele deu o beijo. Depois a donzela tirara a roupa e pedira que ele a possuísse, pois queria saber o que era o amor. Mas como era um homem honrado, ele resistira, e dissera que a donzela devia ter paciência, pois conheceria o amor do marido no seu leito de núpcias. Então a donzela lhe oferecera o anel, dizendo “Já que meus encantos não o seduzem, este anel comprará o seu amor”. E ele sucumbira, pois era pobre, e a necessidade é o algoz da honra.
Todos se viraram contra a donzela e gritaram: “Rameira! Impura! Diaba!” e exigiram seu sacrifício. E o próprio pai da donzela passou a forca para o seu pescoço.
Antes de morrer, a donzela disse para o pescador:
- A sua mentira era maior que a minha. E eles mataram pela minha mentira e vão matar pela sua. Onde está, afinal, a verdade?
O pescador deu de ombros e disse:
- A verdade é que eu achei o anel na barriga de um peixe. Mas quem a cria nisso? O pessoal quer violência e sexo, não histórias de pescador.

"O povo é matéria inflamável"

O filme francês "Adeus à Rainha", que abriu o Festival Internacional de Cinema de Berlim, mostrando os últimos dias da rainha Maria Antonieta, no Palácio de Versalhes, tem duas frases antológicas, ao tratar da Revolução francesa – o povo é uma matéria inflamável e o povo não quer só pão quer também o poder.

Filme "Adeus à Rainha" - Foto: Reprodução

Benoit Jacquod, no encontro com a imprensa, reconheceu a coincidência do filme com a situação de fim de ditaduras em países africanos com a Primavera Árabe.

“A causa da crise financeira é a lógica do próprio capitalismo”

A crise que vivemos é mais profunda e bastante diferente da que conhecemos nos anos 1929 e 1930, afirma o professor François Houtart. Segundo ele, sua dimensão evidentemente está vinculada ao fenômeno da globalização. Porém, ressalta que a atual crise não é nova. Não é a primeira crise do sistema financeiro e muitos dizem que não será a última. Houtart acredita que o mais importante, e isso é diferente dos anos 1929 e 1930, é essa combinação com vários tipos de crises. E afirma: a causa fundamental da crise financeira é a lógica do próprio capitalismo. “A crise financeira é devida à lógica do capital, que tenta buscar mais lucros para acumular capital, que é, dentro dessa teoria, o motor da economia”.

Em entrevista ao Brasil de Fato, Houtart fala também sobre as várias facetas desta crise, inclusive a crise alimentar, a qual, segundo ele, faz parte da mesma lógica. “A combinação da crise econômica com a alimentar é algo novo. Porém, são vinculadas”.

“O socialismo do futuro terá as cores das sociedades que por ele optarem”

“O mundo está num caos em conseqüência da crise global do capitalismo”. Assim, o jornalista e escritor português Miguel Urbano Rodrigues define o atual cenário mundial. Para ele, a crise atual do capitalismo é estrutural.
Em entrevista exclusiva ao Brasil de Fato, Urbano diz que o grande capital pouco alterou as práticas criminosas e fraudulentas que originaram a crise. Para ele, a fatura é paga pelos trabalhadores que tiveram os seus salários brutalmente diminuídos e suprimidas conquistas históricas. Taxativo, afirma que as guerras fazem parte das alternativas imperialistas e que as agressões militares são sempre precedidas de uma campanha midiática de âmbito mundial. Embora avesso a profecias, Urbano acredita que o socialismo do futuro terá as cores das sociedades que por ele optarem de acordo com as suas tradições, cultura e peculiaridades de cada uma.

A única alternativa credível à barbárie capitalista é o socialismo. O capitalismo conseguiu superar desde o século 19 sucessivas crises. Desta vez, porém, enfrenta uma crise estrutural para a qual não encontra soluções. Os EUA, polo do sistema que oprime grande parte da humanidade, mostram se incapaze de controlar os colossais défices do orçamento e da balança comercial. Forjaram um tipo de contracultura monstruosa que pretendem impor a todo o planeta. Mas o declínio do seu poder é transparente e irreversível.

Por si só, as gigantescas reservas de dólares e os títulos do Tesouro norte-americano que a China e o Japão acumularam, estimados aproximadamente em dois mil bilhões de dólares, são esclarecedores da fragilidade da economia dos Estados Unidos, um colosso com pés de barro, hoje o país mais endividado do mundo.